sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Magalhães, Joaquim



      Loulé, 5 de Janeiro de 1940

       Meu querido Pai:
       (...)
       Estamos quási no fim das férias. Tencionamos estar em Faro de domingo, à noite, em deante.
       E, como novidades, além da boa viagem dos excursionistas a Lisboa, nada de interessante ou agradável a assinalar. Contudo, já veio anunciado que para ajudar a manter equilibrado o orçamental geral do Estado, teremos qualquer dia um novo desconto no vencimento de não sabemos ainda quantos por cento. Como ajuda de custo pelo aumento sensível dos preços em algumas par-
celas do orçamento particular de cada um, esta medida é pelo menos original.
       De resto, o que importa é que tudo corra bem, a bem de todos, no melhor dos sossêgos e aprazimento generalizado. Para completar este quadro de boa disposição, vamos continuando a gozar um bom inverno, com chuvas muito abundantes, que, em muitos pontos da província fazem estragos importantes nos trigos semeados. Há por cá já saudades do sol.
      Todavia, como o frio não aperta, as amendoeiras começam a cobrir-se de flores, e dentro de alguns dias mais, devem poder ver-se, se alguma ventania as não destroçar. E eis um pouco do quási nada de novo que há por estas boas terras algarvias.
     (...)

     (...)Com o abraço saudoso do costume do seu filho muito amigo e reconhecido
           
      Joaquim
                                                ________________________________

      Faro, 25 de Abril de 1965

     Querido Kim:

     Recebi ontem o teu postal tipo telegrama.
     Oxalá muito breve tenha a sorte de receber mais notícias tuas. 
     Por cá tudo de boa saúde, felizmente.
     O tempo continua magnífico. Muito mau afinal para o campo e nascentes.
     Está uma temperatura de junho e o campo apresenta o aspecto também próprio do verão. É uma calamidade e uma desolação em que tudo está com esta anormal estiagem.
    Mais isto para agravar a carestia da vida.
    Tivemos ontem à noite aqui em nossa casa a grande pianista Maria João Pires. Grande só de categoria artística, pois que de tamanho é mais pequena que a Cristina. É aflitivamente mignone.
     Casou com um violinista alemão, vive lá há quatro anos e, creio que lá fixou residência também. Veio passar a lua de mel à Ilha de Faro e por um acaso muito engraçado, que a meu olho detectivesco ajudou, deliciou-nos com uma Balada e um Nocturno de Chopin, primorosamente tocados.
     Passamos umas horas do género de fazer esquecer as coisas aborrecidas da vida.
Também um casal de ingleses, simpático, fez parte da sessão e animou a soirée.
     Fui ao Coral Misto dos Estudantes de Coimbra. Gostei do Coral.
     Das variedades uma ou outra piada com muita graça. Uma balada com versos de Manuel Alegre.
     A serenata não me deixou entusiasmada.
     O Dr. Vilhena fez uma brilhante apresentação e o estudante que agradeceu respondeu à altura do primeiro. Foi das coisas com interesse da noite.
     Que pena aquele homem ser quasi um inválido. É tão inteligente! Estou mortinha por saber as tuas impressões dessas terras de França. Oxalá não apanhes muito frio.
      A carta que te escrevi para o Porto só na 4.a feira lá chegou. De cá muitas saudades de todos.
     Não esqueças de dar um abraço aos amigos Tòssan.
     Muitos beijos da tua

     Mãe

in "Uma Escrita na Primeira Pessoa" de Joaquim Magalhães ( Recolha e anotações de Joaquim Antero Romero Magalhães)

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Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler um dos  excertos acima publicados  ou qualquer outro do Professor Joaquim Magalhães.
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Joaquim Magalhães é o patrono da nossa escola dos 2.º e 3.º ciclos.
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Biografia

      Joaquim da Rocha Peixoto Magalhães, Porto - 1909, Faro -1999.
    Licenciado pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1931); professor efectivo dos Liceus (1934-1975); reitor (1969-1974) e presidente do Conselho Directivo do Liceu de Faro (1974-75). 
   "Secretário" de António Aleixo tendo conseguido as primeiras edições de obras do poeta e organizado Este livro que vos deixo (com Tossan); colaborador de jornais, assegurou durante mais de 30 anos "Os 7 dias da semana" em O Algarve (parcialmente reunidos em volume em 2009);
dirigente de várias associações, em especial do Círculo Cultural do Algarve (1942-1972) .
     Publicou ensaios sobre António Aleixo, João de Deus, Manuel Teixeira Gomes, Emiliano da Costa e Bernardo Passos; reuniu algumas prosas com o título de Cartas Sem Código Postal e alguma poesia em Pretérito Imperfeito.
    Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.


Joaquim Magalhães com alunos (Sónia, Lourenço e Tiago) da (sua /nossa) escola com o seu nome em 1997

Marques, Franklin



REQUERIMENTO

Quero aproveitar
esta ocasião
pra solicitar
um favor
ao Sr. Director. *

Ora vamos lá então

Aqui a “semana passada”
(como deve estar lembrado…),
a turma foi confrontada
com um ponto bem “puxado”.

(Um ponto que sabia
Ser só de Pedologia.)

Mas acontece que o “dito”,
com Três perguntas somente,
era “puxado”, repito,
virou a cabeça à gente!

(À gente…quero dizer:
aos outros, está bem de ver!)

Pois…  (…)

Como sempre acontecia,
trazia a matéria em dia.
- Quem vai disso duvidar?
Preparado sim senhor:
- passei no dia anterior
dez minutos a estudar…

Tinha pois obrigação
de botar um figurão.
E foi o que sucedeu.
Estou certo que mais ninguém
Assim, tão depressa e bem,
às três questões respondeu!...

Ninguém imagina que pena
me fez aquela pequena
que, à minha frente, ficava. **
Inda dei uma espreitadela
só pra ver se o ponto dela
tão bom como o meu estava…

Mas não fui compreendido.
E até fui repreendido
eu, que só queria ajudar…
Pois o senhor entendeu
que, ao fim e ao cabo, eu
pretendia copiar! (…)

Longe de mim tal ideia.
Copiar? Que coisa feia
que eu nunca fiz, já se vê…
Pois, quem acima de tudo
coloca sempre o estudo,
há-de copiar… pra quê?

Mas passemos adiante:

Logo após um curto instante,
com certa surpresa minha
(e muda interrogação!...),
vejo-o premir um botão:
- o botão da campainha.

E, no seguinte momento,
acudindo ao chamamento
(Lembra-se bem? Eu não minto!),
como sempre, pressuroso
e com seu ar respeitoso,
surge na porta o Jacinto.

- Olhe, faça-me um favor
(Disse-lhe, então, o senhor
quando à porta o viu parado):
peça ali ao Canas, já,
e, depois, traga-me cá
o tal lápis encarnado!... (…)

Fiquei todo sorridente,
feliz da vida, contente.
- Quem não ficava? Pudera!
Mereciam ser destacadas,
a vermelho sublinhadas,
as três respostas que eu dera!

Mas veio o dia fatal
da entrega. E, afinal,
nem queria crer no que via:
- em diagonal, traçados,
três riscos bem carregados
cada resposta trazia.

Prejuízo! Iniquidade!
Um brado aos céus, na verdade.
Mas, felizmente, há leis novas
que me podem proteger,
pelo que passo a requerer
uma revisão de provas…

E, se alguém pensa que é treta
esta história completa,
que tenho vindo a narrar
da maneira que consigo,
veja bem! Trago comigo ***
o tal ponto… de espantar!!!

* O Dr. Hortênsio Pais de Almeida Lopes.
** Era a Esmeraldina…
*** …e trazia mesmo!

Franklin Marques, in “Livro”



Biografia

FRANKLIN MARQUES
O Prof. Franklin Marques (Franklin da Ascensão Rodrigues Marques), nasceu em Tavira, a 21 de Maio de 1936) e veio morar para Faro, aos 7 anos e onde faleceu em 2008. Na capital algarvia frequentou o Ensino Pimário, a extinta Escola Técnica Elementar Serpa Pinto, a então Escola Industrial e Comercial Tomás Cabreira e a escola do Magistério Primário, onde concluiu o seu curso de Professor, havendo leccionado em estabelecimentos de ensino de São Bartolomeu de Messines, Olhão, Loulé e Faro. 
Foi distinguido pela Câmara Municipal de Faro com a «Medalha de Mérito» e pela Federação Portuguesa de Atletismo. Fez parte da equipa da Direcção Regional de Educação do Algarve, onde se manteve até à aposentação.

in Blog "Costeletas" por João Leal

Nunes, Pedro

Em breve.

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Em 1888 Pedro Nunes foi o patrono da nossa primeira escola, Escola de Desenho Industrial de Pedro Nunes.

Pacheco, Rosária



Silêncios. Abraços.  E momentos...

Existem silêncios que falam
e olhares que nos tocam.
Existem carícias que saram as feridas
e abraços que nos protegem do mundo.

Existem silêncios cheios de vida
e olhares que nos despertam por dentro.
Existem carícias que nos fazem renascer
e abraços que nos agasalham e fortalecem.


E existem momentos que nos apaziguam o
corpo e a alma.

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Um olhar

Ainda te lembras do dia em que nos
conhecemos? Foi apenas um olhar. Um olhar
que tudo mudou. Ali à beira-mar. À beira-mar
desta que passou a ser a nossa praia. Ainda
me recordo como se fosse hoje. E tu, ainda te
recordas desse dia? A resposta foi-lhe dada
através de um momento feito de silêncio.
Olhou para o seu lado direito. Apenas um
espaço vazio. E uma vez mais a vida chamou de
volta a sua memória. Ela partira. Partira numa
manhã fria de Inverno. O último inverno já não
estava a seu lado. Ou será que ainda estava?

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Para participar no concurso "Concurso de Leitura Áudio Cont'Arte 2021" pode ler um dos textos acima publicados ou outro da autora.

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Rosária Pacheco é (2019/2020) professora nas escolas Joaquim Magalhães e Tomás Cabreira do nosso agrupamento.

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Biografia:

           Rosária Pacheco nasceu em Seine-Saint-Denis (Saint-Ouen), Paris, a 29 de Novembro de 1970. De nacionalidade portuguesa, regressou a Portugal com cinco anos. Desde então reside em Faro, cidade berço dos seus pais.
            Licenciou-se em História pela Universidade Aberta. Atraída pelo lado mais espiritual da vida, fez formação na Área das Ciências Religiosas e profissionalizou-se pela Universidade Católica de Lisboa. Apaixonada pelo ensino, obteve o grau de Mestre em Ciências da Educação e da Formação pela Universidade do Algarve. Possui ainda formação na área da Fotografia pela ALFA - Associação Livre de Fotógrafos do Algarve.
          Desde cedo se interessou pela simplicidade e beleza da vida e da natureza. Desta sensibilidade brotou em si o amor pelas letras e pelas imagens, mas só agora se aventurou a partilhar a sua primeira Obra.
            Instantes Ilustrados é o reflexo mais puro da forma como a autora vê e sente tudo o que 
a rodeia. Cada momento que vive é sentido com todo o seu ser que se revela em cada página deste livro.

In Instantes Ilustrados, 2ª aba

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Bibliografia:

Instantes Ilustrados, 2019:

Autor: Rosária Pacheco
Data de publicação: Agosto de 2019
Número de páginas: 118
ISBN: 978-989-52-6448-3
Colecção: Palavras Soltas
Idioma: PT

Sinopse:

"No início desta minha aventura literária, questionei-me se o meu livro algum dia conseguiria voar para as mãos de um leitor. Esta questão ainda permanece no meu interior, embora permaneça acompanhada de uma grande dose de optimismo e confiança. Se te recordas, meu querido leitor, também no início desta aventura, escrevi que te imaginava a ler o meu livro, e que só de imaginar-te já me sentia feliz. Esta imagem de felicidade mantém-se na esperança de se tornar realidade.

Se estás a ler esta contracapa é porque o Instantes Ilustrados já iniciou o seu voo e quis poisar nas tuas mãos. Não tenhas medo. Aventura-te na sua leitura. Ler as suas páginas é como embarcar numa viagem que nos convida a entrar em cada instante da vida que a autora captou e interpretou. Encontrarás um pouco de cada um de nós ao longo da tua leitura. Instantes Ilustrados é um livro para se ler e para se ver. Um livro em que a distância entre a autora e o leitor, a determinada altura, se dilui para dar início a uma verdadeira amizade, celebrada com a vida que os une."

in Instantes Ilustrados, contracapa

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Fotografias:

- Reproduzimos uma das fotografias de de RP, que pode ver maior e com mais qualidade no seu [ Blogue de Fotografia. E a primeira fotografia desta página é também do blogue] de RP.




Veja mais sobre Rosária Pacheco nos seguintes links:








Pessanha, Fernando


    O horizonte assomava-se apontado a norte,ostentando um singular turvo cinza-esverdeado,
coroado de indefinida visibilidade. Lentamente,foram surgindo novas formas, inicialmente
amorfas mas, posteriormente, dotadas de traços mais acentuados e definidos, tanto a estibordo
como a bombordo: as embaciadas margens que se aproximavam. Ondas de curiosos reflexos prateados atiravam-se de encontro ao casco da embarcação, libertando gorgolejantes laivos de espuma e salpicastes gotas salgadas em redor da proa. A maré, ainda cheia, começava a vazar  impetuosamente, embalada pelo sopro determinado do vento, tornando difícil a entrada na barra. Incontáveis tons cendrados pintavam a tela que à proa se apresentava. Tratava-se daquele tipo de cenário que impunha respeito, o respeito subjacente à fragilidade do Homem perante as forças da natureza. Tornava-se urgente lançar âncora de modo a evitar o temporal que se aproximava, de modo a evitar urna outra tempestade no mar. Sim... a noite anterior tinha sido de temoroso temporal, pelo que havia reparações a fazer e mantimentos a comprar.


 In Hotel Anaidaug página...



 O sol afundava-se no horizonte daquele final de tarde, tingindo o  ocaso de enrubescidos tons avermelhados. Porém, e não obstante a frieza que se começava a fazer sentir, Miguel não fechava a janela de onde contemplava aquele improvável espectáculo cromático. Os tons alaranjados derramavam naquela estranha tela uma incrédula poesia visual, e Miguel ali se detinha, de cotovelos cravados no parapeito e olhar perdido no poente, aguardando a chegada da sua esposa. Todo aquele espectáculo dava-lhe que pensar... Era o nonagésimo aniversário da sua avó, uma velhinha de rugas profundas e cabelo branco, tão mirrada quanto risonha. Lembrava-se dela com inevitável carinho; o colo que a velha lhe dava quando ele era criança, as histórias que tantas vezes lhe tinha contado, as inúmeras birras que tinha suportado do neto. Entretanto, tinham passado três décadas, e agora era Miguel que dava colo, que contava histórias e suportava as birras da sua filha. A velha tinha ficado muito mais velha, uma criança tinha-se transformado num homem, e esse homem tinha dado origem a uma nova criança. Era o ciclo da vida...Naquele momento, em que afogueados raios de sol trespassavam unia nuvem sombria, Miguel apercebeu-se da absurda fragilidade e brevidade da condição humana. Todos ali estavam, inconscientes espectadores de uma contagem decrescente que os reduziria a pó.
Olhou para trás, virando a cara aos ruborizados raios de sol que esburacavam a nuvem. Olhou para a sua bebé que, no seu parque, brincava inocentemente com os seus brinquedos


in "Encontros Improváveis" página...

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Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler um dos excertos acima publicados  ou outro das diferentes obras do autor.
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Fernando Pessanha  foi aluno da  Escola Tomás Cabreira no início do século XXI









Apresentando a sua obra na biblioteca da nossa escola
    .

Biografia


Fernando Pessanha nasceu em Faro, em 1980. É licenciado em Património Cultural, pela Universidade do Algarve, e mestrando em História do Algarve, também pela mesma Universidade. Membro do CEPHA (Centro de Estudos do Património e História do Algarve), é autor do ensaio "A Cidade Islâmica de Faro" e de inúmeros artigos de âmbito historiográfico publicados por diversos jornais regionais, para além de formador de História na UTL de Vila Real de Santo António. Encontros Improváveis é a sua primeira obra no campo da ficção. 




ligações

Pinto, Serpa



Nessa noite o meu sono foi acalentado pelo ruído da catarata de Gonha, que, a jusante dos rápidos da Situmba, interrompe a navegação do Zambeze.

No dia 4, logo de manhã, depois de ter comido um prato enorme de ginguba, presente do chefe das povoações, tomei um guia e dirigi-me para as cataratas.
[...]
Gonha não tem a imponência das grandes cataratas. Ali a paisagem é suave, variada e atraente. A mistura da floresta pomposa, com a rocha e com a água, estão harmonizadas, como por mão de artista hábil em tela primorosa.

Mesmo o despenhar da água no abismo, não causa ruído pavoroso, e é decerto amortecido pela vegetação enorme que a rodeia.

Ali não se elevam vapores, que convertidos em chuva alaguem as vizinhanças; ali o acesso é livre a toda a parte, parecendo que a natureza se comprazeu a tornar fácil a visita à sua bela obra. Gonha é como a casquilha que se mostra, que se deixa contemplar, para que a admirem.

Depois de levantar a planta da grandiosa catarata, demorei-me ali até à noite, não cansando os olhos de ver tão esplêndido quadro, em que a cada momento descobria uma nova beleza.

Voltei ao meu campo, saudoso pela lembrança de que não veria mais em minha vida, o espetáculo sublime que deixava para sempre.

Mapa: Alto Zambeze - Cataratas de Gonha
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Para participar no concurso "Cont'Arte Leitura Áudio 2020" pode ler o excerto acima ou qualquer outro da  obra Como eu atravessei a África (Vol. I e Vol. II)) do  explorador Serpa Pinto.

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Serpa Pinto foi patrono da nossa Escola  Técnica Elementar Serpa Pinto  entre 1947 e 1951.
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Escola Técnica Elementar
Serpa Pinto
"Em 1948, com a construção do novo edifício do Liceu de Faro, a Escola Técnica Elementar Serpa Pinto, criada pelo Decreto Lei n.º 36 409, de 11 de Julho de 1947, passa a ocupar o edifício onde funcionava o Liceu, o qual foi objeto de diversas obras de remodelação e ampliação. Em 31/05/1951, pelo Dec. - Lei n.º 38 277, fundiu-se a Escola Industrial e Comercial de Tomás Cabreira com a Escola Técnica Elementar Serpa Pinto, dando origem  à Escola Industrial e Comercial de Faro."

 in blogue da AAAETC.


     
Serpa Pinto foi militar e explorador do continente africano.

Em 1877 Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens são nomeados para participar numa expedição científica à África Central, que tinha como objetivo -no interesse da ciência e da civilização- explorar os territórios compreendidos entre as províncias de Angola e Moçambique e estudar as relações entre as bacias hidrográficas do Zaire e do Zambeze. Após divergências* com os seus companheiros, Serpa Pinto entendeu continuar sozinho para fazer o reconhecimento do território e efetuar o mapeamento do interior do continente africano, de modo a preparar a entrada de Portugal na discussão pela ocupação dos territórios africanos que, até então, apenas serviam de entrepostos comerciais. Pode ver mais informações sobre o "Mapa cor-de-rosa" e o "Ultimato britânico de 1890 na wikipédia de Serpa Pinto.

*Este desentendimento resultou em dois livros que foram best sellers: “Como eu atravessei a África" de Serpa Pinto e “De Benguela às Terras do Iaca” de Capelo e Ivens.
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Serpa Pinto in wook:

 
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Mais um excerto de Como eu atravessei a África atualizado e lido pelas alunas Beatriz Santos e Maria Sofia para um trabalho de Aplicações Informáticas B no âmbito do Projeto Cont'Arte:

"Não tem pretensões a obra de literatura este livro. Escrito sem preocupação da forma, é a fiel reprodução do meu diário de viagem.

Cortei nele muitos episódios de caçadas, e outros, que um dia no descanso, produziram um volume de carácter especial. Busquei sobre tudo fazer realçar o que mais interessante se tornava para os estudos geográficos e etnográficos, e se não me pude eximir a narrar um ou outro dos muitos episódios dramáticos que abundaram na minha fadigosa empresa, foi quando a esses episódios se ligavam factos consequentes, de importância, já para alterar o itinerário projetado, já determinando demoras, ou marchas precipitadas, que seriam incompreensíveis sem a exposição das causas determinantes.

À Europa, e em geral ao homem que nunca viajou nos sertões do interior de África, não é dado compreender o que se sofre ali, quais as dificuldades a vencer a cada instante, qual o trabalho de ferro não interrompido para o explorador."

Quaresma, Amilcar


 

Poema das sete cores, sete dores

Que fizeram, Poeta às tuas cores?
Que é feito desse verde tão amado,
Porque está o mundo abandonado,
Para que servem, Poeta, as tuas flores?

As tuas Bailarinas já não dançam
O bailado das cores imortais.
Triste são deste tempo estes sinais.
Se os poetas de pintar até se cansam.

Verde, amarelo, azul, violeta, alaranjado,
Variados sentimentos já dançaram.
Mas bailaram, com tristeza, sem calor

As tuas fúcsias no teu verso celebrado.
Pois no fim dessa dança, que bailaram,
O branco foi esquecido pelo autor.

 in Diário, página 195

Caricatura por Francisco Zambujal

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6 de Novembro de 1986

Um pouco ao Deus dará...

      Este Diário é, ao fim e ao cabo, uma amálgama de notas arrumadas um pouco ao Deus dará.
Coisas do tempo passado, eu misturo com outras  talvez acontecidas hoje mesmo. Mas o que prometo aos meus leitores, é que a Escola e os moços estejam  nas histórias que eu contar, nos comentários que  fizer. Recordo hoje o Mário. Há quantos anos aconteceu isto, meu Deus? Há mais de vinte e cinco,  certamente. O Mário ganhou mil litros de gasolina super. por ter sido o primeiro, num concurso de frases publicitárias à escala nacional. A empresa  que teve esta iniciativa dirigiu-se à nossa Escola,  que na altura se chamava Escola Industrial e Comercial de Faro, requerendo a nossa participação. Eu era professor de Técnica de Vendas e Publicidade e pus os meus alunos todos, a inventar frases publicitárias. A alegria do êxito veio oferecida em etapas. Primeiro, uma carta elogiosa para o professor que soubera ligar a vida às suas lições. Na verdade, essa tem sido a minha luta, o quebrar fronteiras entre a Escola e a Cidade. Depois a espantosa revelação: o Mário fora o primeiro, entre cerca de 3000 frases concorrentes! Depressa ficou resolvido, que o Mestre acompanharia o estudante premiado a Lisboa e logo nos preparativos da viagem começou a festa. Uma ida ao Jardim Zoológico ficou, desde logo, programada. Hoje, recordo a tal frase vencedora:
 "Viscostatic, um sucesso no progresso" O moço construira uma frase publicitária apenas com quatro palavras! Grande vitória! Lembro-me perfeitamente o gozo que foi tirar partido das ofertas prometidas! Entraríamos no melhor hotel. Não pouparíamos no restaurante. Da vida lisboeta, eu pouco mais sabia que o meu jovem aluno. Daí o encontrarmo-nos   num restaurante, que depois verificámos, e ainda bem, que era muito luxuoso e de cinco estrelas! Meu Deus! Um tanto encabulados, olhávamos para aquilo tudo extasiados. Aquários luminosos com peixes transparentes, volteando...Pássaros exóticos em gaiolas douradas. Velas, em cima das mesas...Ai, santo Deus, como vai ser isto, de escolher os alimentos? Como sempre gostei das cores, deixei-me seduzir por um caldo, que se chamava "Três cores". Sabem os meus leitores, o que aconteceu? Apareceu uma água chilra, sem sabor, onde boiavam três bolinhas, tipo pintarolas!O Mário, olhou-me de soslaio e desatámos a rir, a rir, como perdidos. Jurámos que não nos enganariam mais. Desistimos do luxuoso caderno, onde os pratos vinham com seus nomes em francês e inglês e pedi ao empregado escandalizado, simplesmente, dois bifes com batatas fritas.
       Foi um nunca acabar de episódios memoráveis essa ida a Lisboa , por quatro ou cinco 
dias. Lembro-me agora de dois momentos: um solene; outro espectacular! O momento formal foi
quando na sede da companhia petrolífera o meu aluno assinou um documento através do qual cedia
os seus direitos de autor da frase por si inventada a favor da empresa que a iria usar em todo o mundo, onde actuava, vendendo gasolinas e derivados. Na altura da assinatura sentimos os relâmpagos das fotos de circunstância. O momento espectacular foi, quando no meio dum concurso muito popular da TV de então, o "Diga, diga...", o Jorge Alves, famoso locutor já falecido, nos entrevistou: ao herói da sessão, um moço de Faro e mais o seu professor, que nesse dia entrou pela vez primeira para o arquivo histórico da TV! Podem imaginar, o que foi, em Faro, essa sessão televisiva? Faro era mais pequena, quase uma família...Tenho a certeza que tudo parou, há vinte e seis anos, quando eu e o Mário debutávamos na TV.

In Diário, páginas 143 a 145

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Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler um dos textos  acima publicados  ou qualquer outro do autor.
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Amílcar Quaresma  foi professor da  Escola Industrial e Comercial de Faro, nos  anos 60  e 70 do século XX.


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A Visita ao Porto

As aventuras dos Algarvios, estes rapazes,
   E também as partidas destas moças,
Que de muitos feitos são capazes,
E a santa paciência dos professores,
Que ganharam vitórias não fugazes,
Eu cantarei, se a inspiração vier
E da excursão ao Porto eu comporei
Um poema, se tal fama lá couber!

​A vós, ó ninfas de grande valimento,
A vós filhas do Rio Seco, tão famoso,
EU peço inspiração, entendimento,
E faço-o, em jeito humilde e piedoso.
Se para edificar tal momento,
O valor falta, esse jeito precioso,
Aumentai, musas minhas o talento,
E dai-me um estilo nobre e engenhoso.

In O Diário, Páginas 162 e 163




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Biografia

         Amílcar Quaresma nasceu a 11 de março 1934 em Estoi, Faro. Desde cedo descobriu vocação para as letras, criando, na escola primária, um jornal colorido a lápis de cor a que deu o nome de Foguete. Fundou e dirigiu várias publicações, como Rompeu, Alvorada, Despertar, Açoteia, Jogral, Tempo Jovem e Preto no Branco, muitas delas escolares, em conjunto com os milhares de alunos que ensinou. Dividiu a carreira de professor entre a Escola Tomás Cabreira e o antigo Liceu de Faro (atual Escola Secundária João de Deus), mas foi também dirigente associativo de várias coletividades, tendo fundado o Jograis de Estoi. Faleceu aos 75 anos e dividiu a sua vida entre a docência, a literatura e a comunicação social.





Rocha, Lutília Gonçalves

A cada colega costeleta
presente nesta confraternização
a festejar o Natal,
o nosso abraço
a encurtar o espaço.
e a aquecer o coração.

Que este dia 
seja de alegria
e muito especial,
que a todos comprometa
conservar o ideal
do ser costeleta!

Apesar do esforço
em estar presente
ao convívio do almoço...
para esta altura do ano
já havia outro plano
que tínhamos pendente.

Lamentamos a ausência
ficamos em abstinência

Mas quando abril chegar...
se Menino Jesus deixar
lá estaremos com alegria.
Brindem todos à harmonia
dum Santo e Feliz Natal
e que o Novo Ano seja
o que o coração deseja.

Boas Festas!
Lutília e Ludgero Rocha

in blogue da AAAETC




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Esta noite é noite de S. João.



        Nas aguarelas da minha infância há postais coloridos desta noite que dança e rodopia até ser dia, como ainda hoje, em algumas localidades.
        Recordo de ler que na vida das comunidades desde a pré-história, havia datas chaves que assinalavam a relação mágica com a terra e o céu. A festa desta noite herda da festa pagã do solstício de Verão todos os símbolos que a caracterizam – pedras, plantas, água e fogo.
      No calendário litúrgico, S. João Batista é o santo precursor da anunciação e preparação da vinda de seu primo – Cristo Redentor. Batizou-O no rio do Jordão, apresentando-O como o Messias.
     O seu culto alia à festa religiosa toda a alegria de um festejo popular que se expande pelas ruas e se comunica e exterioriza de forma ruidosa.
      Naquela época, em que começava despertar para o intrincado da vida, a minha terra, de casario disperso pela serra algarvia de Monte Figo, debruçada sobre a aldeia de Santa Bárbara de Nexe, ganhava um encanto especial, particularmente nesta noite.
      Os mastros surgiam erguidos pelos rapazes onde havia raparigas por perto. Eram cinco: quatro mais pequenos em cada canto formando um quadrado e um grande ao centro de onde pendiam as fitas para a dança do bailarico, todos enfeitados de macela florida, alecrim ou murta que aromatizavam o lajedo onde a fogueira se iria acender para iluminar a noite.
       Os manjericos enfeitavam as janelas de onde saía a luz frouxa das candeias de azeite.
       O som do harmónio ecoava pelas redondezas convidando ao bailarico.
      Os mais idosos sentados nas cadeirinhas de tabua, com o garrafão de vinho tinto ao lado, o naco de pão e a sardinha estivada assada conversavam animadamente.
       As crianças davam largas à alegria saltando a fogueira, nove vezes e dando vivas a São João.
        As raparigas casadoiras, divertiam-se tirando «as sortes».
       Usavam cera derretida, alcachofras chamuscadas, papelinhos com nomes de rapazes, tudo servia para tentar ler o futuro.
      As mulheres casadas faziam a sorte das favas para ver se o ano seria bom para as colheitas – a fava vestida, a semi-nua e a nua – eram passadas pela fogueira nove vezes e escondidas às escuras sob o travesseiro. Na manhã de S. João retirava-se uma fava: se viesse sem casca, o ano seguinte seria de miséria, o contrário seria de fartura.
      Outra sorte era a da bacia com água. Passando-a pela fogueira as benditas nove vezes servia de espelho da vida: se o rosto era visível chegaria ao próximo S. João. Depois essa água servia para lavar o rosto na manhã seguinte, dizia-se, para ficar com pele macia.
        Muitas outras sortes haviam.
         E todos dançavam naquela noite, rindo e cantando onde parecia que o tempo parava.
      Ao terminar da festa, pegava-se na cinza da fogueira para batizar as craveiras na manhã de S. João dizendo:

Eu te batizo craveira
na manhã de S. João
dá cravos de toda a cor
só pretos é que não.

       Assim, nesta noite em que o arraial tem o brilho da alegria de quem vai para a rua festejar os seus santos, com sabor a sardinha, perfume de manjerico e trovas a rolar pelo ar, dê-se ao prazer de sentir a vida ao pormenor, saboreando cada momento que por si desliza, caro amigo costeleta, e viva o São João!


          Carinhosamente aqui fica um abraço

Lutilia Rocha

in http://costeletasfaro.blogspot.com/2019/


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Lutília Rocha foi aluna da Escola Industrial e Comercial de Faro nos anos 50 do século XX.


Rodrigues, Joaquim

 Do Pombalismo ao Liberalismo

                 Desde os alvores da sociedade humana que a técnica, o saber fazer, esteve intimamente ligada ao desenvolvimento das mais extraordinárias realizações do espírito humano. Inicialmente com um enorme grau de empirismo, mas que paulatinamente se foi afirmando no conhecimento íntimo dos materiais e das forças que deles emanam. Sem este conhecimento, a raiar já a «ciência», as pirâmides do Egipto não seriam mais do que um amontoado de pedras e as catedrais góticas não se elevariam quase ao céu.
              A estreita simbiose entre a ciência e a técnica — para o bem e para o mal da Humanidade - contribuiu decisivamente para moldar a construção da nossa actual sociedade.
             A escola, evidentemente, não poderia, nem esteve alheada deste processo. Com frequência ela foi o catalizador do processo técnico-científico. Como também é verdade que muitas inovações técnicas não partiram das grandes instituições de ensino, mas de simples e habilidosos artesãos.
            Com o desenvolvimento técnico-económico das sociedades nos últimos duzentos anos foi necessário preparar, formar, qualificar, novos e mais vastos sectores profissionais então surgidos, capazes de responder às solicitações da sociedade capitalista.
             Apesar do seu proverbial atraso, Portugal tentava acompanhar a Europa «iluminada».
E que melhor começo que pelo «estrangeirado» Marquês de Pombal e seu consulado. 


in Da Escola "Pedro Nunes" à "Tomás Cabreira" (1888-1974), página 23
2002
.

Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler o excerto acima publicado  ou qualquer outro do autor.
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Joaquim Rodrigues  foi professor da  Escola Secundária Tomás Cabreira Faro até ao ano 2010

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Biografia


Joaquim Manuel Vieira Rodrigues é licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa e professor aposentado do Ensino Secundário. Investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, é Mestre e Doutor em História Contemporânea pela referida universidade. Tem elaborado estudos e conferências essencialmente sobre temas relacionados com o Algarve.

2002
2002
2019
2019



Romana, Maria

O PASSADO E OS PRESENTE

Quando criança, brincava com outras crianças,
Jogava ao manecas e à corda;
Ao jardim da celeste,
Aos bailes de roda.
Frequentava a Escola Primária,
Levava puxões de orelhas e ficava de castigo, sem recreio! Diziam que eu era inteligente e exigiam muito de mim. Descontrolava-me e fazia tudo mal.
Lá vinha o insucesso escolar.
Já era crescidinha, uma mulherzinha
Frequentava o Curso Secundário e as lições de solfejo e piano,
                                      [fazia pequenos poemas.
De vez em quando, era repreendida e castigada por me ter
                                     [apaixonado por um miúdo da minha idade.
Só tive esse namorado!...
É com ele que estou casada.
Hoje, sou esposa, mãe, avó, mulher trabalhadora.
Estou cansada, mas feliz.

in Um Mundo Sensível,página 94
                                                   


POEMA BASEADO NA ESTROFE

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente 
É dor que desatina sem doer."

                                        Camões


Amor é fogo, que arde sem se ver, 
Mas sente-se no coração palpitar. 
Provoca sofrimento e desalento 
Por esse sentimento de amar

É ferida, que dói e não se sente,
Mas percebe, quem tem o sofrimento
Por um grande amor, que ninguém sabe
E que se perde, em qualquer momento.

É um contentamento descontente 
Porque esse amor é infeliz.
Por isso é que no seu peito sente
A mágoa, que o destino quis.

É dor, que desatina sem doer,
Mas esse sofrimento é constante. 
Um amor, que teima em querer,
E que se encontra lá, bem distante...

in Mundo Sensível, página 10


Maria Romana trabalhou na escola secundária de Tomás Cabreira, nas últimas décadas do séc. XX como enfermeira escolar.


DO MUNDO DO MEU SENTIR..
AO MUNDO SENSÍVEL DO POETA!
Vibram dentro do mundo poético, nessa cascata que é a alma na imensa montanha do "Ser" às vertentes por onde corre o rio do "Sofrer", onde deslizam lágrimas e sorrisos, tristezas e alegrias, sonhos, anseios... que o poeta experimenta, sensações que o fazem vibrar, que desafiam à lira da alma as palavras do amor, com a musicalidade da vida, de tudo o que existe de mais belo na Natureza, sonhando aquém!...
Neste "UM MUNDO SENSÍVEL" de Maria.Romana, há um espaço onde o coração tem maior dimensão, onde se sente a espontaneidade do amor, do seu "querer" e do "ser" numa dualidade entre o "dar" e o "receber", dessa dimensão divina que partilha e que um poeta nos transmite.
"UM MUNDO SENSÍVEL" é uma viagem pelo universo da vida que há em si, que a leva (a autora) ao mar, esse mar que nos surge na magia do horizonte, tangendo o espaço infinito... que nos transporta ao mistério que é a alma na sua imensidão!... Em que o próprio mar nos convida à melodia, tal como o rio que corre ou a fonte, sentindo a sede de ser criança e o encanto da Natureza que na sua dádiva maior nos dá sempre o Natal do amor. A obra é um cântico, onde tudo isto se harmoniza na paisagem do Algarve de sol dourado.
A palavra que nos sai da alma, ligada à matéria, dá-nos muitas vezes, a música maravilhosa dos sentidos, em ligação com a palavra a imagem que o poeta nos dá, verdadeira tela que torna a Poesia uma verdadeira oficina de arte...
A poesia é um estado de espírito que alimenta a alma em que as suas nascentes para dar a beber a água pura, para matar a sede, terá de ser destilada no alambique do amor.
Irradia na obra da autora, um despertar de sonhos e realidades, de observadora atenta ao "Reino da Natureza", manifestando no seu "EU" a mais sublime missão de Amor ao próximo. O suave perfume duma flor, a beleza dos cânticos à terra, tornam claro o significado do seu "MUNDO SENSÍVEL". Apresentando na sua poesia formas que obedecem à "Oficina da Poesia" e não com o rigor do "Laboratório da Poesia"... No "MUNDO SENSÍVEL", há constelações em que a luz da alma ilumina o brilhante "Painel do Amor" em que a procura de si, é apanágio dos seus versos.
"UM MUNDO SENSÍVEL" é uma obra em que o poeta se veste da sinceridade e observadora atenta da vida e do ser humano e de tudo o que nos rodeia.
"UM MUNDO SENSÍVEL" ficará na memória dos tempos e no Arquivo dos Sentimentos. É dedicada a todos os que sentem esse Mundo!

MARIA JOSÉ VIEGAS CONCEIÇÃO FRAQUEZA
Fuzeta, 29 de Abril de 1991

in Um mundo Sensível, contracapa