Este é um dos projectos do Agrupamento de Escolas Tomás Cabreira (AETC) e tem como objectivos principais a promoção da leitura e a produção de interpretações artísticas (teatro, dança, música, textos, desenhos, ilustrações, vídeos, audiolivros…) a partir de textos de autores do Agrupamento. E por isso mesmo, é também um projecto de memória, isto é, de divulgação da nossa memória coletiva, que se enquadra na implementação da "Flexibilidade Curricular" e da "Estratégia da Educação para a Cidadania" do AETC.
E este concurso e este blogue fazem também deste projeto para 2019/2020.
Muitos dos autores deste blogue foram alvo de trabalhos e de leituras de alunos, que já se encontram nos respectivos autores. Mas temos mais textos e leituras que irão enriquecer o bloque. Entretanto ficam aqui alguns sites, vídeos e leituras áudio (alguns feitos em ensino à distância - E@D), que oportunamente serão integrados nos respectivos autores.
O Vampiro de Carlos Augusto Lyster Franco
Recriação artística do conto por: Filipe Palma, Isabelle Nóran, Isaura Peres, Pamela Bender e Sava Manojlovic.
Site de Adriana Zhuk com biografias e leituras de seis autores Cont'Arte.
Dezenas de ilustrações com base em leituras e interpretações de contos de Carlos Augusto Lyster Franco. Foram realizadas com técnicas várias, em A4 e A3, por alunos de turmas de Artes Visuais. Nota: iremos aqui os nomes dos nossos artistas.
Contos de Carlos Lyster Franco (professor e diretor da nossa escola nos anos 10 -e mais alguns- do século XX) com ilustrações de alunos de Artes Visuais no final dos anos 10 do século XXI.
Estas obras tem edição da equipa das Bibliotecas Escolares e na sua produção colaboraram também alunos de Cursos de Ciências e Tecnologias e do Curso Profissional de Secretariado, que colaboraram, entre outros, na feitura do necessário glossário.
Leituras por Beatriz Lua.
Leituras por Leonor C.
Pode clicar aqui para ver uma apresentação com algumas atividades realizadas em 2018/2019, no âmbito do Cont'Arte, preparada pela equipa das Bibliotecas Escolares e divulgada num encontro de Professores Bibliotecários do Algarve.
Escola Básica do Bom João, Faro (Pré-escolar e 1.º Ciclo).
Escola Básica de S. Luís, Faro (1.º Ciclo).
Escola Básica Dr. Joaquim Rocha Peixoto Magalhães, Faro (2.º e 3.º Ciclos).
Escola Secundária de Tomás Cabreira, Faro.
Agrupamento de Escolas Tomás Cabreira, Faro.
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Escola Básica da Ilha da Culatra, Faro (1.º Ciclo) - 2011 a 2019.
Escola do Ensino Básico Mediatizado da Ilha da Culatra, Faro (2.º Ciclo) - 2011 a 2019.
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Escola de Desenho Industrial de Pedro Nunes - 1888.
Escola Industrial e Comercial de Pedro Nunes em Faro - 1914.
Escola de Artes e Ofícios de Pedro Nunes - 1918.
Aula Comercial - 1918.
Escola Elementar de Comércio - 1918.
Escola Comercial de Faro - 1918.
Escola de Artes e Ofícios.
Escola de Carpintaria e Trabalhos Femininos de Pedro Nunes, de Faro.
Escola Comercial Tomás Cabreira - 1921.
Escola Industrial e Comercial de Tomás Cabreira (EICTC) - 1931. O Decreto nº 18.420 (de 1930 ou 31?) no seu Art. 363º refere que: "São fundidas as escolas de artes e ofícios de Pedro Nunes e comercial de Tomás Cabreira, de Faro, constituindo uma só escola industrial e comercial."
Escola Primária da Sé, anexa ao Magistério Primária - anos 30 e 40. Escola Primária de S. Luís - anos 40.
Escola Técnica Elementar Serpa Pinto (ETESP) - 1948 (apenas com o ciclo preparatório que é equivalente aos agora 5º e 6º anos).
Escola Industrial e Comercial de Faro - 1952/53 (as escolas ETESP e EICTC unem-se e perdem o nome dos patronos - 5.º ao 9.º anos).
Escola Primária do Bom João - anos 70.
Escola Industrial e Comercial de Faro - 1973 (a escola passa a leccionar os recém-criados Cursos Complementares do Ensino Técnico, equivalentes ao (então) 7º ano dos Liceus, hoje 11º ano).
Escola Secundária de Tomás Cabreira, em Faro - 1979 (Portaria nº 608/79, de 22 de Novembro, que extingue os ensinos liceal e técnico profissional).
Escola Primária n.º 1 de Faro.
Escola Primária n.º 3 de Faro.
Escola Preparatória n.º 2 de Faro - 1987/1988 (portaria 465/85).
Escola C+S nº 2 de Faro.
Escola EB 2/3 Dr. Joaquim Magalhães.
Escola E.B.1 do Bom João.
Escola E.B.1 de S. Luís.
Agrupamento Horizontal de São Luís, Faro.
Agrupamento Vertical de Escolas Dr. Joaquim Magalhães, Faro
José Afonso foi (é) um dos maiores vultos de Portugal (do século XX) e foi professor da nossa Escola Industrial e Comercial de Faro, em 1958/59 e no início dos anos 60 do século XX.
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (ZECA AFONSO) nasceu em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929, filho dum magistrado e duma professora primária. A infância reparte-se entre Aveiro, Angola, Moçambique, Belmonte e Coimbra, devido às sucessivas deslocações profissionais do pai.
Em Coimbra, estudante do Liceu D. João III, conhece o guitarrista António Portugal e começa a interessar-se pela música. Em fins da década de 40, já aluno de Ciências Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras de Coimbra, destaca-se, à semelhança do irmão, como cantor de fados. Conhece o mestre guitarrista Flávio Rodrigues e a cantadeira popular Cristina Matos.
Casa pela primeira vez em 1950, com Maria Amália, de quem tem dois filhos, José Manuel e Helena. As dificuldades económicas levam-no a trabalhar como revisor no «Diário de Coimbra». Em 1953 grava os primeiros discos (de 78 rpm), com «Fado das Águias» e outras canções, o que voltou a acontecer em 1956 (já em discos de 45 rpm). Em 1958 viaja com a Tuna Académica até Angola, numa viagem que repetirá, dois anos depois, com o Orfeon Académico. Em 1960 grava a «Balada de Outono» e, depois, de modo irregular vai gravando alguns discos de pequeno formato (EP), até 1964, ano em que, já casado com Zélia, parte para Moçambique. Os filhos de ambos, Joana e Pedro, nascerão nos anos seguintes.
Pelo caminho deixa o serviço militar cumprido em Mafra (entre 1953 e 1955), onde se distinguiu pela sua permanente distração e incapacidade para dar ordens e uma experiência de professor do ensino secundário iniciada em 1956 e que o levou a diversos liceus e colégios de Mangualde, Aljustrel, Lagos, Faro e Alcobaça.
É ainda como mestre-escola que regressa a África em 1964, experiência que se revelará fundamental na sua formação política. Na Beira, colabora com o Teatro Experimental e escreve a música para a peça «E Excepção e a Regra», de Brecht. Volta a Portugal em 1967, ano em que é pela primeira vez editado em «long playing» (33 rpm) «Baladas e Canções», historicamente o seu primeiro álbum, que recolhe gravações anteriores à sua partida para Moçambique e editadas em vários EPs.
Expulso do ensino por razões políticas, dedica-se mais assiduamente à música e inicia um período de gravações regulares com «Cantares do Andarilho» (1968). No ano seguinte grava «Contos Velhos Rumos Novos» e, em 1970, publica «Traz outro Amigo Também» e visita Cuba. No ano seguinte edita «Cantigas do Maio», e tudo passa a ser como era na música portuguesa. Aliás, 71 é um ano de luxo para a música portuguesa: Sérgio Godinho grava «Os Sobreviventes», Adriano Correia de Oliveira edita «Gente de Aqui e de Agora», José Mário Branco publica «Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades», Luís Cília vê sair em França o terceiro álbum da série «A Poesia Portuguesa de Hoje e de Sempre». Ainda nesse ano recebe o terceiro prémio consecutivo da Casa da Imprensa pelo melhor disco.
Em 1972 canta pela primeira vez na Galiza e participa no Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro, onde apresenta o tema «A Morte Saiu à Rua», dedicado ao pintor José Dias Coelho, assassinado pela Pide. Edita «Eu Vou Ser Como a Toupeira».
Participa activamente no III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro, em Março de 1973 (onde estreia em público «O Que Faz Falta») e envolve-se na acção politica com grupos de vários sectores da Esquerda, desde o PCP à LUAR. Publica «Venham mais Cinco» (73).
Em 29 de Março de 1974 participa no Encontro da Canção, no Coliseu dos Recreios, onde a censura não lhe permite cantar mais do que duas canções: «Milho Verde» e «Grândola Vila Morena». Menos de um mês depois, a 25 de Abril, esta era a senha do Movimento das Forças Armadas para o início da que ficaria para a história com o nome único de Revolução dos Cravos.
Ainda em 1974 faz sair «Coro dos Tribunais», mas só voltará a publicar em 1976 «Com As Minhas Tamanquinhas». Nesses meses («essa coisa magnifica que foi o PREC»), percorre o país de ponta a ponta, num sem fim de «sessões», «acções de dinamização», «campanhas de alfabetização». Grava um disco em Itália de apoio à luta do jornal «República» e outro para a LUAR «Viva o Poder Popular» / «Foi Na Cidade do Sado», ganha o Prémio Internacional de Folklore da Academia Fonográfica alemã (1976). Apoia as candidaturas à Presidência da República de Otelo Saraiva de Carvalho (1976 e 1980) e Maria de Lurdes Pintasilgo (1985). Grava «Enquanto Há Força» (77), «Fura Fura» (79), «Baladas de Coimbra e Outras Canções» (81).
Em 1982 visita Moçambique e é recebido pelo Presidente Samora Machel com honras semelhantes às de um chefe de Estado. É-lhe diagnosticada uma doença incurável (esclerose lateral amiotrópica) que se caracteriza pela destruição lenta e progressiva do tecido muscular. Viaja pela Roménia, Inglaterra e Estados Unidos, em busca de uma solução.
Em 1983 realiza os últimos espectáculos, nos coliseus de Lisboa e Porto. Publica o disco «Ao Vivo no Coliseu» e um belíssimo LP de originais, «Como Se Fora Seu Filho». Um ano depois, recebe dos doze participantes no Concerto pela Paz e Não Intervenção na América Central, realizado em Manágua, uma das mais significativas homenagens: uma mensagem assinada, entre outros, por Pete Seeger, Chico Buarque, Carlos Mejía Godoy, Sílvio Rodriguez, Daniel Viglietti, Isabel Parra e Amparo Ochoa. Nesse mesmo ano foi editado o livro "As Voltas de um Andarilho", de Viriato Teles, uma extensa reportagem sobre a vida e a obra de Zeca. Em 1984, José António Salvador publica "Livra-te do Medo", um outro trabalho biográfico sobre o poeta-cantor - reeditado em 1994 em nova versão, mais ilustrada, com o título "José Afonso - O Rosto da Utopia".
Em 1985 publica o derradeiro disco, «Galinhas do Mato», onde já só dá voz a dois dos temas. Os restantes têm interpretações de Janita Salomé, Helena Vieira, Luís Represas, Né Ladeiras e José Mário Branco. Morre, no hospital de Setúbal, na madrugada de 23 de Fevereiro de 1987.
Uma segunda edição (muito) aumentada de "As Voltas de um Andarilho" foi publicada em Novembro de 1999 pela Editora Ulmeiro. Este novo livro inclui um prefácio de Sérgio Godinho, intitulado "A que distância está o Zeca?", e uma crónica de Fernando Assis Pacheco, "Só me calham Dukes".
Sou vinho tinto Púrpura, bordô me banham
Sou maracujá
Excêntrica, ácido me sonham
Sou pão, arroz
E simples fui nascida
Mas o simples cresce
Como flor crescida
Me encontro, regida
Pomba vivida, divertida
Pela lua tão fria
Que é a minha melhor amiga
Amo a tela
Amo a tinta
Cresço em cima
Da palete e vela
Que cheiro perfumado
A baunilha e pétalas vermelhas
E limpas são as veias
Intoxicados em purpurinas
Será que por mim tanto anseias?
in Argila
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24.
Bom dia, senhor motorista
Leve-me para longe
Arranque suave e acelere pela estrada adentro
Demore uns meses se for preciso
Pelo passado nada lamento
E o que foi, foi
Se é para voltar que volte
Destino nos cruze um dia
Que esse de mim retirou aquela fobia
Com razão e ilusão de magia
Passeio com meio vestido aberto
Flores claras em branco velho
Deitada na relva
Faço-me rainha da selva
Hoje de manhã
Pouco amarga, ácida
Como maçã
Acordei nesta tormenta
Compreendo a paixão lenta
Arde como vidro em bronzear
Sobre cinzeiro aborrecido
Das almas que ele afugenta
in Argila
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Vou-te pintar
Na minha mão
Nos autocarros da manhã
Em que nunca entrei
Afogados estamos nós
Na cama e sozinhos
Quando os nossos pulsos são de porcelana
Quando podemos ser mais que obsidiana
Obsidiana clara, seriamos
in Argila
Apresentando o seu livro na Biblioteca da Tomás Cabreira - 2016
Apresentando o seu livro na Biblioteca Municipal
Apresentando o seu livro na BESTC - 2016
Apresentando o seu livro na BESTC - 2016
Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler um dos poemas acima publicados ou qualquer outro de Eva Anjos
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Eva Anjos foi nossa aluna na Escola Secundária Tomás Cabreira em meados dos anos 10 do século XXI.
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Biografia
Vinda de uma família tipicamente portuguesa, Eva Anjos nasceu em Faro, a 28 de Junho de 1999. Passou grande parte da infância com a sua avó materna e começou o ensino aos cinco anos, no infantário, um ano antes de entrar na escola primária.
Passou desde o 1º até ao 7º ano de escolaridade no Colégio Bernardette Romeira, em Olhão, o restante tempo de ensino foi e é realizado no agrupamento escolar Tomás Cabreira, em Faro, onde estuda Artes Visuais. Escreve, desde os seus 8 anos, narrativas, guiões, poemas e letras musicais, o seu primeiro livro completo é Argila.
A Eva Anjos, nascida em 1999, foi aluna do quadro de excelência do Colégio Bernardete Romeira, em Olhão, em 2010, 2011 e 2012 (5º, 6º e 7º ano respetivamente). Em 2008, apenas com 8 anos participou em duas exposições de "Filatelia" em Olhão e em Faro, promovidos pelos Municípios de Olhão e Município de Faro (no Museu Municipal), onde apresenta a coleção de selos com poemas e textos. Em 2010, com 10 anos, ganhou o 1º lugar no concurso "Logótipo para os produtos de Olhão". E continuou a participa em várias exposições: em 2012 na FilexGaya, em Gaia e em 2014 com a coleção "Borboletas o animal exótico", também com textos, nas Comemorações no centro Cultural de Estoi Poeta António Aleixo.
Todo o segundo domingo de cada mês havia mercado, um mercado rural tradicional e centenário. O Mercado de Estoi era famoso nas redondezas pela quantidade e variedade de produtos à venda e pelo preço. É uma referência da cultura popular e da tradição do concelho de Faro. De todos quanto se realizam na região, é sem dúvida um dos mais agitados e coloridos, cujo burburinho e tipicidade, criaram fama que arrasta centenas de visitantes, entre locais e forasteiros. Mas no mês de Setembro, o mercado mensal dava lugar à Feira de Estoi. Esta durava alguns dias, ao contrário do mercado que estava adstrito ao domingo de manhã.
A aproximação e a preparação da feiratrazia feirantes de diversos pontos do país, na esperança de conseguir o melhor lugar para o seu negócio. A meio da semana já o campo de futebol, transformado em recinto de feira, estava metamorfoseado num estaleiro de barracas e bancas a serem armadas. Estacas espetadas a pancadas de malho e cordas esticadas à força de braço iam dando forma à área da feira. O circo Cardinali já içava os mastros da tenda principal, onde iria decorrer a apresentação do seu espectáculo, ao mesmo tempo que toda uma panóplia de personagens se movimentava em volta das suas roulottes.
in Sombra e Sol- Vai a rua em duas cores, página 171
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Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler o excerto acima publicado ou qualquer outro texto do autor.
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Biografia
Nascido, a 24 de maio de 1961, em Estoi, Concelho de Faro.
Foi aluno da Escola Comercial e Industrial de Faro nos anos 70 do século XX
Psicólogo Clínico, reconhecido pela Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde.
Mestre em Psicologia Perinatal,
Foi Docente Universitário. Investigador em Psicologia Clínica.
Orientador de Estágios Profissionais da Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Diretor da Casa do Povo de Estoi.
Presidente da Associação Cívica Tomaz Cabreira.
Bibliografia
Em Nome D’El Rey.
Clube do Autor, em 2018. Estoi – Festa da Pinha.
Arandis Editora, em 2017. Mais Sol Que Sombra.
Arandis Editora, em 2016.
Sombra e Sol - Vai a rua em duas cores.
Arandis Editora, em 2015.
O conceito de alfabetização do PEP terá um alcance mais lato, não se confinando unicamente ao ler, escrever e contar, procurando também valorizar e completar a formação moral e espiritual do povo, através da divulgação de noções de educação moral e cívica, organização corporativa, previdência social, segurança no trabalho, higiene e defesa da saúde, agricultura e pecuária. Esta ideia de formação moral e espiritual envolve também a educação nacionalista de uma forte componente de inculcação ideológica e de doutrinação moral, baseando-se num esforço de produção de consensos sociais fundados em valo-res que se dizem atemporais e indiscutíveis. O PEP contribuirá para um modelo de sociedade que traduz projectos unificadores no plano político, simbólico e cultural (cf. Nóvoa, 1994:4/5) e para um maior controlo ideológico sobre a sociedade, nivelando por baixo a sua educação.
in O Zé Analfabeto no Cinema
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Cristina Barcoso é professora do Agrupamento de escolas Tomás Cabreira.
Frente ao mar
meu peito ardente e nu de marinheiro pelo sangue.
Nas veias o fervilhar feliz
de um milhão de ondas devastadoras.
Nos meus olhos libertos e saudosos
espelhando a minha dor imensa
o abraço líquido que me une a ti
ó MAR
deus pagão de olhar luminoso e belo.
Recebe ó MAR
este ribeiro de sofrimento que para ti corre
e contigo se confunde
ó MAR que eu amo
e a quem me ligo
pelo drama de não ser só teu ...
in Poemas da Solidão Imperfeita, página 13
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Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler o poema acima publicado ou qualquer outro do autor.
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Biografia
Casimiro de Brito
Nasceu em 14 de janeiro de 1938 em Loulé, distrito de Faro.
Viveu a sua infância na região algarvia, completando o Curso Geral do Comércio, na Escola Industrial e Comercial de Faro no início dos anos 50 do séc. XX.
Viveu em Londres em 1958
Emigrado na Alemanha em finais dos anos 1960
Estabeleceu-se em Lisboa em 1971, desempenhando funções no sector bancário.
Depois de uma passagem por Londres,
Poeta, romancista, contista e ensaísta,tem cerca de 56 livros publicados, traduzidos em 26 idiomas.
Em 1956 criou no jornal A Voz de Loulé uma página literária designada Prisma de Cristal, que se publicou até 1959, num total de 26 números. Nela colaboraram, entre outros, Ramos Rosa, Gastão Cruz e Maria Rosa Colaço.
De 1958 a 1964 dirigiu, em Faro, a colecção de poesia A Palavra na qual publicaram, entre outros, Fiama Hasse Pais Brandão, Luiza Neto Jorge e Candeias Nunes.
Em 1958, fundou e dirigiu com António Ramos Rosa os Cadernos do Meio-Dia (1958-60), onde se revelaram os poetas do movimento literário Poesia 61.
Foi vice-presidente da Associação Portuguesa de Escritores,
Foi Presidente do P.E.N. Clube Português e Presidente da respectiva Assembleia Geral.
Foi nomeado consultor para a Europa da World Haiku Association, sediada em Tóquio.
É responsável pela colaboração portuguesa na revista internacional Serta, Columba, Loreto13, Cadernos Outubro
Editor-in-chief da Antologia de Literatura Mundial Diversity do P.E.N. Club Internacional
Diretor da coleção Grito Claro.
Dedica-se hoje exclusivamente à escrita e continua a desenvolver uma intensa actividade como divulgador da poesia nacional e internacional.
PRÉMIOS RECEBIDOS (entre outros)
Grande Prémio de Poesia Associação Portuguesa de Escritores pelo livro Labyrinthus (1981),
Prémio Versília, de Viareggio, para a "Melhor Obra Completa Estrangeira", pela obra Ode & Ceia (1985),
Prémio de Poesia do P.E.N. Clube, pelo livro Opus Affettuoso seguido de Última Núpcia (1997),
Prémio Internacional de Poesia Léopold Senghor (2002),
Prémio de Poesia Aleramo-Luzi, para o Melhor Livro de Poesia Estrangeiro, com o Livro das Quedas (2004),
Prémio de Melhor Poeta do Festival Internacional Poeteka (anel de platina), na Albânia (2008).
Casimiro de Brito
foi ainda nomeado embaixador mundial da Paz (ONG, Zurique)
foi agraciado pelo Presidente da República Portuguesa com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique em 2008
BIBLIOGRAFIA
Poemas da Solidão Imperfeita (1957)
69 Poemas de Amor (2008)
Amar a Vida Inteira (terceiro volume do Livro das Quedas – poesia)
Livro do Desejo. (romance V.I)
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Noite por Ti Despida
Adulta é a noite onde cresce
o teu corpo azul. A claridade
que se dá em troca dos meus ombros
cansados. Reflexos
coloridos. Amei
o amor. Amei-te meu amor sobre ervas
orvalhadas. Não eras tu porém
o fim dessa estrada
sem fim. Canto apenas (enquanto os álamos
amadurecem) a transparência, o caminho. A noite
por ti despida. Lume e perfume
do sol. Íntimo rumor do mundo.
Diariamente cumprimos um ritual que conduz à "cegueira", não permitindo apreender aquilo que nos rodela, lançando-nos numa apatia cultural. Foi a necessidade premente de mudança que norteou o projeto multidisciplinar inicialmente denominado "O Nome da Rua", desenvolvido por alunos e professores de artes da Escola Secundária de Tomás Cabreira, em Faro, ao longo de três anos letivos.
Pela sua situação geográfica, de grande acessibilidade pelo mar, Faro foi palco, ao longo dos séculos, de sucessivas invasões de vários povos, entre eles romanos e árabes, que nos deixaram vestígios da sua cultura e modos de vida. Sofreu, também, grandes devastações provocadas por fatores naturais (terramotos) e humanos (invasões que destruíram, pilharam e incendiaram a cidade). Apesar disso, o primitivo núcleo urbano, da Vila Adentro, em forma ovoide, conseguiu manter a sua estrutura medieval, ainda hoje visível no traçado das ruas, nas muralhas ou em algumas das vivências dos seus habitantes. Predomina, no entanto, uma arquitetura oitocentista de grande beleza, devido à reconstrução feita após a destruição provocada pelo terramoto de 1755, que devastou Lisboa e particularmente o Algarve. Este aglomerado, de características muito próprias, foi o objeto de estudo e espelha-se neste trabalho.
O desafio de estimular o olhar, o sentir e o saber, através da reflexão histórica, social e estética, valorizando a riqueza da nossa história em termos arquitetónicos e sociais, no sentido de defender e divulgar o património local à comunidade, esteve na base da criação de uma vasta gama de trabalhos relacionados com a Vila Adentro, apresentados numa exposição patente no Museu Municipal.
O envolvimento, a dedicação e o entusiasmo de alunos e professores no projeto "O Nome da Rua" fê-lo crescer e extravasar os seus objetivos iniciais, apoderando-se das emoções, das sensações e das vivências locais, ultrapassando o trabalho de escola e transformando-se nesta obra abrangente "Vila Adentro — O Espírito do Lugar" que permite, não só, conhecer a história e usufruir do espaço mas, também, sentir a própria essência e espírito do lugar.
Este livro vai para além da descrição do local captando a sua alma através de um percurso em que cada rua é apresentada por alguns dos seus alçados, pelo seu traçado, pela história da toponímia, por desenhos e fotografias manipulados de modo criativo, representando aspetos gerais ou pormenores dos espaços em estudo, criando um novo olhar sobre a "cidade velha" e permitindo, a quem vier a usufruir desta obra, descobrir a "realidade na fantasia..," As imagens são acompanhadas por textos sobre as características da rua e da sua arquitetura, sobre os sentimentos e emoções que delas emanam e com os testemunhos de quem lá viveu. Como complemento, a inclusão de um glossário permite, a quem não estiver sensibilizado para o tipo de terminologia técnica e de algum vocabulário mais popular utilizados no livro, sentir-se mais elucidado e, por consequência, esperemos, emocionalmente mais envolvido.
in Vila Adentro O Espírito do Lugar, página13 (Prefácio)
(Texto escrito em co-autoria com a Professora [aposentada] Rosa Trindade )
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Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler um excerto do texto acima publicado .
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Biografia
Atualmente, Dulce Bulha professora no Agrupamento de Escolas de Tomás Cabreira
O Algarve constitui uma região agronómica característica que se diferencia nitidamente das outras regiões portuguesas. Com um clima de caráter mediterrâneo, que só encontra similar na Sicília e no norte de África, com uma vegetação própria desse clima, o Algarve é uma zona naturalmente destinada à cultura de primores e frutas, que urge estudar sob bases científicas. É portanto necessário estabelecer, no distrito de Faro, um posto experimental agrário que compreenda um campo de experiências e viveiros de plantas algarvias ou suscetíveis de se adaptaram ao Algarve, uma escola agrícola móvel, um laboratório de análises e uma oficina de embalagens de produtos agrícolas.
in Posto Agrário e Ensino Móvel
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Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler o excerto acima publicado ou outro do autor.
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Biografia
Tomás António da Guarda Cabreira (Tavira, 23 de Janeiro de 1865 — Tavira, 4 de Dezembro de 1918) foi um ministro das Finanças de Portugal entre 9 de Fevereiro de 1914 e 23 de Junho do mesmo ano. Foi, também, professor, militar e escritor.
Tomás Cabreira nasceu em 1865 na cidade de Tavira, filho do General Tomás António da Guarda Cabreira e de sua mulher e prima Francisca Emília Pereira da Silva Cabreira. O seu avô, o Marechal-de-Campo Tomás António da Guarda Cabreira era o 1.º Conde de Lagos e 1.º Visconde do Vale da Mata. Teve um filho, Tomás Cabreira Júnior.
Carreira académica e militar
A sua educação foi feita paralelamente na Escola do Exército, onde se licenciou em Engenharia Civil (1893), e na Universidade de Coimbra, onde frequentou o curso de Ciências Matemáticas. Leccionou na Escola Politécnica as disciplinas de Química Mineral e Química Orgânica, sendo depois nomeado lente definitivo do mesmo estabelecimento de ensino. Da sua carreira académica, saliente-se, aínda, o Doutoramento, em 1916, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e o facto de ter sido um dos fundadores da Academia das Ciências de Portugal e da Universidade Popular de Lisboa.
Na perspectiva militar, Tomás Cabreira atingiría o posto de Coronel do Exército, em 1918, ano da sua morte.
Carreira política
Tomás Cabreira esteve, igualmente, ligado à política, tendo sido vereador da Câmara Municipal de Lisboa, em 1908, e deputado republicano pelo Algarve às Constituintes, em 1911. Em 1912 é senador e, em 1914, é nomeado para Ministro das Finanças. Por razões internas do Partido Democrático, de que era membro e dirigente (1914), demite-se da pasta de que era responsável. Após a demissão, funda a União da Agricultura Comércio e Indústria.
Fez parte da Maçonaria, da qual foi 9.º e 13.º Presidente do Conselho da Ordem do Grande Oriente Lusitano entre 1899? e 1902 e entre 1907 e 1908, cargo extinto pela Constituição de 31 de Dezembro de 1907, em vigor desde 6 de Março de 1908 e restabelecido pela Constituição de 2 de Janeiro de 1912, e esteve ligado ao jornalismo ocupando diversos cargos na Associação dos Jornalistas de Lisboa e na Associação da Imprensa Portuguesa.
Os livros publicados por Tomá Cabreira abrangem diversas áreas do conhecimento, desde a Economia, à Química, passando pela Arte e pelo Turismo:
A Composição da Linguagem de alguns Povos Pré- Históricos (1923)
Homenagem
A pedido do Conselho Escolar da Escola Comercial de Faro, Tomás Cabreira foi homenageado dando o seu nome a esta escola, pela portaria nº 2.576 de 17 de janeiro de 1921 do Governo da República, passando aquela a designar-se por Escola Secundária Tomás Cabreira.
Saudade!...
Amor que se sente
Por um ente
Ausente. .
Desejo de o voltar a ver,
De com ele reviver
As mesmas ilusões,
As mesmas cantigas,
As mesmas aflições.
Saudade !...
Dor forte e profunda
Do nosso amor oriunda
Saudade !...
Monotonia que abre os corações
De dor,
Desejo forte que arrasta para aflições
De amor.
Saudade!. .
Também sou como os outros,
Meu peito também sente, também chora,
Sou poeta, por isso minha alma implora
Esse bálsamo divino,
— Tão belo!...
Saudade ! . . .
Adeus ... Até que um dia, venha a viver-te
Com ansiedade.
Saudade !...
in Meditações, Páginas 23 e 24
Caravela e a ilusão
Partiu um dia a caravela
Airosa e bela
Sulcando os mares.
E regressou.
Mas já sem mastros e sem velas
Arruinada
Cansada
Despedaçada.
Como vinha a caravela!
E como fora a caravela!
Senhor! Que transformação!
Tal como a caravela
A ilusão
Esta minha ilusão
É tal qual ela.
Partiu alegre,
Partiu armada
De ar triunfante.
Andou perdida
Andou errada
Na vida errante.
in Meditações, páginas 16 e 17
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Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler um dos poemas acima publicados ou qualquer outro do autor.
BIOGRAFIA
Sotero Cabrita foi aluno do Curso Geral do Comércio na Escola Industrial e Comercial de Faro nos anos 50 do século XX
Natural de Estoi
Trabalhou na TAP
Era poeta e em Lisboa frequentava o Café Martinho
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Apresentamos o prefácio à sua obra, escrito pelo professor Joaquim Magalhães:
Prefácio
PEDE-ME O AUTOR duas palavras de apresentação para a sua estreia, convencido de que, assim acompanhado, lhe será menos custoso o primeiro ensaio no campo das letras.
Ei-las e que elas realmente o ajudem a vencer a natural timidez dos estreantes e a ganhar confiança nas suas próprias possibilidades. Porque ao moço estudante, que assina este livrinho, não falta sensibilidade nem intuição poética para jogar com as palavras e organizá-las em poema. Além disso ama a poesia e sente para a expressão em verso um íntimo apelo que se me afigura agradavelmente prometedor nestes primeíros tenteios líricos. Originalidade real seria exagerado exigir-lhe logo de entrada. Raríssimos, na história das letras,se afirmaram, na estreia, portadores de uma mensagem inédita.Em todo o caso, na singeleza despretensiosa deste primeiro passo, há uma candura e uma ingenuidade que ficam bem a um moço e justificam o carinho e o estímulo que merecem todos os jovens com uma vocação imperiosa. O aperfeiçoamento vira com o tempo. As qualidades em potência ir-se-ão afirmando com a experiência poética da vida. Nenhum fruto nasce logo maduro. E este livrinho bem pode vir a ser um começo com futuro. Assim seja.
(As falas devem ser distribuídas aleatoriamente (ou segundo critérios da encenação) por, no mínimo, sete, e no máximo, treze actores.)
Escuro. - Tudo começou com um rapazinho. - Um rapazinho numa praia. Luz. - Um rapazinho morto. - Um rapazinho morto numa praia. - Digo um rapazinho porque não teria mais de 3 anos. - 4 anos. - 3 ou 4 anos. Não se sabe muito bem. - Uns dizem 3, outros dizem 4. - Anos. - Um rapazinho de 3 ou 4 anos morto numa praia. - Uma tragédia. - Tiraram uma fotografia. - Uma fotografia que percorreu a internet. - As redes sociais. - As pessoas ficaram chocadas. - Muito chocadas a olhar para a fotografia do rapazinho de 3 ou 4 anos morto numa praia. - Onde era a praia? - … - Quem era o rapazinho? - … - Era um rapazinho. - Morto. - É tudo o que preciso saber. - Amanhã acordo e vou trabalhar, como faço todos os dias. - Mas depois de ver a fotografia do rapazinho morto, pergunto-me como posso ir trabalhar.
in Palco de Babel, Página 2.
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Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler o texto acima publicado ou outro do autor.
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Luís Campião foi professor na Escola Secundária Tomás Cabreira nos anos 10 do século XXI
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Biografia
Luís Campião
Nasceu em Portimão em 1974.
Licenciou-se em Estudos Teatrais pela Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, Porto em 2001 e fez a Pós-graduação em Texto Dramático Europeu pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 2004.
Desenvolve projecto de mestrado em Artes Performativas - Escritas de Cena na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa.
Escreveu os textos Nossa Senhora da Açoteia Prémio António José da Silva 2012, e 1º prémio do concurso de textos teatrais TUP, 2012, publicado pela Chiado Editora, 2013; Parabéns (ESTC/ Leituras no Mosteiro TNSJ, 2012) e A Cova dos Ladrões (ACTA, 2010).
O Menino da Burra foi distinguido com uma menção honrosa no concurso INATEL - Novos Textos 2013.