sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Costa, Manuel Inocêncio





Aniversário



Eu sei – fazes 18 anos,
Ai que bonita idade,
Quero oferecer-te uma prenda,
Vou levar-te à cidade.

Mas que prenda te darei?
Que oferecer-te poderei?
Que seja do teu agrado?
Ah já sei,

Ofereço-te uma flor;
Uma dália, uma violeta,
Calha contigo, que és simples,
E modesta também,
Que és bela como ninguém;
Mas, não! Não o farei!

Ofereço-te antes uma safira,
Azul, tão azul como o céu,
Nela poderás apreciar,
A beleza e o azul do mar.

Mas não, não é preciso,
Ofereço-te só um sorriso,
Querida irmã!
E mais te faço:
Recebe um abraço!
Sê feliz!

in Ventos do Sul, páginas 105,106



Naquele dia


Naquele dia violento,
Rebentaram tempestades,
E destravou-se o vento;

E o céu escureceu,
Ribombavam os trovões,
Estava escuro como breu;

Os raios caíam na terra,
Num fragor diabólico,
Parecia começada a guerra;

Incendiaram-se as montanhas,
E os vulcões enfurecidos,
Reviravam suas entranhas;

Os cães andavam perdidos,
Pelas ruas desorientados,
Dando lúgubres latidos;

As casas estavam fechadas,
As janelas trancadas,
Dentro pessoas apavoradas,

Com fervor e fé rezavam,
Para esconder o medo,
Única saída que encontravam;

As mães os filhos apertavam,
E palavras lhes diziam,
E assim os confortavam ;

Muitas pessoas pereceram,
Pelo menos é o que se diz.
Ou nunca mais apareceram;

Os transportes pararam,
Parecia suspensa a existência,
Até que todos notaram,

Surgiu uma claridade no céu,
E num estrondo colossal,
O astro sol reapareceu.

Os abismos sossegaram ,
Restabeleceu-se a vida,

A Paz e o Amor voltaram!


in Ventos do Sul páginas 28,29


                                                         

Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler um dos poemas acima publicados  ou  outros do autor.

                                        ________________________


Manuel Inocêncio da Costa,  conhecido advogado da nossa cidade, foi professor do ensino Secundário na Escola Comercial e Industrial de Faro.


                                                        ______________________________

BIOGRAFIA


          Manuel Inocêncio da Costa associado Costeleta e publicou o  livro Ventos do Sul, em  Março de 2010 que divulgou em  várias cidades algarvias, como Faro, S. Brás de Alportel, Vila Real de Santo António .Tavira...com  apresentação  a cargo do historiador Teodomiro Cabrita Neto.
          Esta obra de poesia pretende aliar "a realidade ao sonho (...) inculcar à luta  - luta pela justiça, verdade, solidariedade e simplicidade"   como se pode ler na contracapa do seu livro.




Cunha, Norberto




      











O poema seguinte foi a primeira colaboração do autor no jornal do O Olhanense, em 2010, como " uma pequena e simbólica prenda, na forma de um apontamento sobre a Ria Formosa"


Preia-Mar no Ancão O pino da tarde é o momento. Lânguida, verde e transparente a toalha oceânica renova a posse inteira, soberana e amante sobre a Ria. Com ternura, deita-se já nas ilhotas rasas do sapal e carícias imprime no cálido lençol dos louros areais Misturam-se odores. Terra de sal irrigada eflúvios de cardo e trovisco limos e murraça tojos, pinho. Erótico perfume. É agora. Cessou o trotar de caranguejos o compasso da babugem a tensão nas amarras e a deriva dos barcos o voo das aves o percutir de insectos o rumor da brisa. No deslumbre do olhar aprisionado repousada e soberba a líquida e límpida planura• aí está, enfim• em toda a extensão• da sua fecundidade em toda a grandeza da sua imponente quietude. Agora tudo é uno, inteiro completo perfeito. Em êxtase• rendido ao pleno da maré detém-se o universo. Só o sentir se move• e a memória guarda. Não são mais• que saudade antecipada ocaso deste instante mágico e único sempre. Obviamente, nunca o cronista bíblico se aventurou por esta estreita remota e ignota faixa do paraíso. Mas sem ela, sem estes aromas esta luz, esta paisagem• este momento sublime• Éden algum alcançará a completude In Norberto Cunha - Jornal "o Olhanense" 2010
In Blog "Costeletas" Colocado por Rogério Coelho em 29-11-2010


 Poema retirado do Facebook do autor no dia 18 -10 2020



NA TUA AUSÊNCIA


Na falta dos teus braços sinto frio
sem a tua mão adormeço
e sem o teu olhar o meu fica vazio
Na tua ausência, amor
Não há chama nos lençóis
não há estrelas não há sóis
auroras que comigo descobriste
Na tua ausência amor
eu não te esqueço
mas só me perco e pereço
o mundo já não existe...


Mas, além de excelente poeta como se pode ver nos poemas anteriores, Norberto Cunha também surpreendeu os seus leitores com a publicação do livro   "O Triângulo de Dezembro e outras ficções", do qual apresentamos o seguinte excerto:


" Finalmente!
        Impressos preenchidos e entregues, inscrição paga, António deixa a secretaria da escola com o talão bem guardado no bolso e a estimulante certeza de que uma nova vida se abre para si.
        — Olá! Então agora vens estudar à noite? É a mais linda daquelas rapariguinhas que tanto o embaraçavam na farmácia. Mas o sorriso que lhe oferece mostra-se mais límpido e generoso que nessas ocasiões. E como um garoto surpreendido numa travessura, o jovem sente o rubor assomar-lhe ao rosto, mas controla-se. Muito mais ousado tinha sido enfrentar mestre Fulgêncio. E com uma segurança antes impensável responde:
        —   É verdade. E tu? Andas cá na escola?
        —  Já estou no segundo ano. Mas não faz mal, a gente encontra-se à mesma. Então adeus.
       —  Adeus — retribui António um tanto aturdido e deixa-se ficar  a observá-la enquanto, no seu andar gracioso, a desinibida rapariguinha abandona o átrio.
          E eis que, de súbito, lhe sobe uma enorme, imensa, avassaladora, quase irrefreável vontade de gritar, de cantar, de sair correndo aos saltos pelas ruas da cidade! Está tão de bem consigo, tão confiante e feliz, como se acabasse de receber, sem o esperar, o maior, o mais desejado e merecido dos prémios."
                                                    
in O Triângulo de Dezembro e outras ficções, página 153
                                   

                                                         

BIOGRAFIA

Nasceu em Faro, em 6 de Junho de 1939

Frequentou a  Escola Industrial e Comercial de Faro desde 1956 até 1963, onde fez o Curso de Aperfeiçoamento de Comércio e as Secções Preparatórias para Institutos Comerciais, com o processo nº 3218.

Atualmente vive em Lisboa, Cascais, como ele próprio se define "Sou um farense “exilado” há quase cinquenta anos no concelho de Cascais, bancário aposentado, licenciado em Filosofia, que gosta de escrever e faz da escrita exercício vário, abrangente, onde a cidadania também cabe." 

Tem colaborado em publicações de carácter associativo ou regional com poesias, crónicas, apontamentos e ensaios, e foi colunista do Diário do Sul — Edição Algarve e do Diário do Algarve, de 2000 a 2002


BIBLIOGRAFIA

 Panorama da Cidade, poema satírico, Faro 1960 e, sob pseudónimo de António António,
Breves Poemas para Hoje, Faro 1962.
O Triângulo de Dezembro e outras ficções




                                 

      A complementar a biografia do autor  e salientando o valor da sua obra deixamos as palavras  elogiosas de algumas personalidades de reconhecido valor intelectual  retiradas  da 1ª aba de   O Triângulo de Dezembro e outras ficções:


           
                                                    _______________________________

             "Reúne-se nesta obra um feixe de contos cujo recorte estilístico se assemelha a um caleidoscópio literário, matizado num flagrante realismo filosófico, impregnado de pertinentes observações sobre os comportamentos sociais e atitudes políticas que consubstanciaram a nossa sociedade nas últimas décadas. No livro, certos temas são desvelados com a coragem e a genialidade que caracterizaram alguns dos maiores vultos da literatura pátria. Norberto Cunha segue-lhes as pisadas, aproximando-se com inspirada criatividade dos mais consagrados contistas contemporâneos. Será que neste Triângulo de Dezembro se projeta o primeiro passo de uma esperançosa jornada de sucesso? Esperemos que sim:' 

                                                                    José Carlos Vilhena Mesquita 
                                                  __________________________________

Carta a um escritor, por António Gomes Marques



       Há pessoas que escrevem livros, de imediato publicados, que não necessitam de publicidade e, logo à partida, têm a garantia de venda de milhares de exemplares. Há escritores, uns bons e outros excelentes, que se vêem e desejam para encontrar editor e cujas obras, quando editadas, se vão arrastando ao longo do tempo numa venda lenta e que, muito de vez em quando, lá esgotam a edição. O fenómeno não é apenas português. Claro que também acontece que estes escritores, se têm a sorte de as livrarias lhes darem visibilidade, conseguem passar a ser conhecidos e, naturalmente, a ser procurados; no entanto, com raríssimas excepções, o número de exemplares de cada edição dificilmente ultrapassa os 3000 exemplares. Mas são estes escritores que merecem que deles falemos, que gritemos ao Mundo: «Olhem para aquele livro, leiam-no, discutam-no, pensam-no!
        É dum desses escritores que vos quero falar. Não é conhecido do público, não atingiu ainda a excelência e poderá nunca a atingir se não o lermos e, assim, o levarmos a desistir.
        Foi no dia 26 de Novembro de 2007 que o António Norberto Cunha me procurou trazendo um livro debaixo do braço, o que nada teria de extraordinário não fosse ele o autor. Tratava-se de «O Triângulo de Dezembro e outras ficções», livro de contos, livro que estendeu para mim, dizendo: «É para ti!» Com alguma emoção, abri de imediato para lhe pedir a dedicatória, da qual o Norberto não se tinha esquecido e que não resisto a transcrever:
            Dois ou três dias depois iniciei a sua leitura, finda a qual me coloquei frente ao computador, não resistindo a escrever o texto que abaixo vos deixo (e que continuava inédito), texto esse que vos dirá a razão por que não podia deixar de o produzir, e a que chamei:



CARTA A UM ESCRITOR

QUARTA-FEIRA, 18 DE MAIO DE 2011

Meu Caro Norberto

      Já são passados mais de 2 anos sobre a resposta que me deste à inevitável pergunta que se faz a um amigo que não vemos há algum tempo: «Tenho desfrutado da companhia dos netos e do prazer da escrita». Perguntei-te de seguida o que tens escrito, pensando eu que me irias falar da «nossa» Filosofia que tanto tem ocupado as nossas vidas e tu, confesso, voltaste a surpreender-me: «Tenho escrito uns contos, pensando mesmo em publicar um livro».
        Um livro, óptimo, e logo de contos, que eu sempre considerei o mais difícil na ficção. E foi este o tema que se seguiu na nossa conversa. Perguntaste-me então se eu estaria na disposição de ler alguns e, depois, dar a minha opinião. Claro que a resposta teria de ser sim.
          Fui um leitor atento, mas demasiado exigente. Acredita que foi por amizade, dado temer que não passasses de mais um ficcionista no meio de muitos, o que para um amigo meu seria pouco. Tinhas escolhido a via mais difícil para fazer literatura – escrever contos. Mas, na verdade, pode ser-se muito bom contista sem atingir a mestria de um Anton Tchekhov, o melhor de todos na minha modesta opinião.
          Vi, de imediato, que tinhas cuidado com a narração e que sabes perfeitamente que a literatura tem de ser construtiva e não demonstrativa, mas deixei para o futuro uma apreciação mais definitiva sobre a tua qualidade de contista. Foi, mais ou menos, o que te disse depois de lidos os 3 contos que me enviaste, havendo um deles que não me agradou, embora te tivesse dito que deverias pegar nas suas personagens, construir-lhes uma vida, sem preocupações do número de páginas para, assim, ganhares experiência para vires a ser o ficcionista que estavas a pretender ser.
           Mais tarde, disseste-me que o livro estava pronto e que gostarias que eu fizesse, naturalmente com outros, a sua apresentação pública. Convite honroso que não pude aceitar por, nas datas prováveis, não estar no país. Foi pena não ter podido testemunhar este momento importante da tua vida, igualmente importante para os amigos!
           Entretanto, chegou-me o livro, «O Triângulo de Dezembro e outras ficções», generosamente oferecido por ti, cuja leitura iniciei cheio de curiosidade uns dias mais tarde, logo que terminadas outras leituras (não consigo ler um só livro de cada vez).
          Nos contos gosto, naturalmente, de histórias curtas que sejam capazes de sintetizar um romance em meia dúzia de páginas, ou menos, que me falem de pessoas vivas, verosímeis, que levam a nossa imaginação a procurar a solução do mistério que o autor tão bem nos sabe apresentar. Por isso, gosto dos contos de Manuel da Fonseca, do Carver, da Flannnery O’Connor, do Juan Rulfo, do Italo Calvino, como também de Ilya Ehrenburg (esqueçamos um pouco o seu estalinismo), do Guy de Maupassant, da «Servidão e Grandeza dos Franceses », de Aragon, do Miguel Torga e de muitos, muitos outros, sem esquecer o maior – Anton Tchekhov.
         E gosto dos teus contos, perfeitamente enquadrados quase todos eles na minha concepção do que é um conto. Apareceram-me como narrados de dentro do universo que procuras retratar, sentindo-se muitas vezes a tua adesão ao mundo que mostras, numa linguagem simples para o leitor, bem mais difícil para o autor. Mostras dominar já bastante bem, para além da linguagem, a técnica do conto, a criação do mistério a partir de uma realidade que o leitor pode (deve) conhecer.
          Por fim, não posso deixar de referir que continuaste a surpreender-me. Falo do conto «A Bandeira Moçárabe», que tomo como homenagem à terra que te viu nascer, Faro, conto esse prenhe de erudição.Poderias ter escolhido a época pré-histórica ou a época romana, bem assinaladas por traços bem materiais; optaste pela época da ocupação islâmica, iniciada no séc. VIII, mostrando um conhecimento profundo do viver quotidiano da época que retratas e que resulta numa lição erudita que me encantou. Bem hajas!

        E pronto, meu caro António Norberto, esta carta já vai longa e é tempo de a terminar.

        Abraça-te com a amizade de sempre o

                           António

 In Blog Estrolabio


https://estrolabio.blogs.sapo.pt/tag/norberto+cunha

Igualmente publicamos a foto e a notícia da apresentação do livro em dezembro de 2007, retirada do Blogue da AAAETC


NOTÍCIAS



O TRIÂNGULO DE DEZEMBRO E OUTRAS FICÇÕES

O "Costeleta" Norberto Cunha, associado e colaborador do nosso jornal em artigos "Naquele Tempo", fez a apresentação do seu livro "O Triângulo de Dezembro e Outras Ficções", no passado dia 12 de Dezembro na Biblioteca Municipal António Ramos Rosa em Faro. A Direcção da nossa Associação e outros "Costeletas" estiveram presentes no evento, com destaque para Daniel Mendonça, Franklin Marques, Isabel Coelho, João Ramos, Jacinta Ramos (Mimi), Luís Cunha, Vitor Cunha, João Rezende e Rogério Coelho (que fotografou). Na foto podemos apreciar a apresentação do Livro pelo Autor. Lemos, gostámos e apresentamos ao Autor as nossas felicitações e aguardamos o próximo lançamento.



Publicada pela  Associação Antigos Alunos Escola Tomás Cabreira em 10:35 AM 12/31/2007 11:10:00 da manhã








Évora, Fernando

     


Resultado de imagem para Fernando Évora


               Era este eucaliptal propriedade do Engenheiro Heliodoro da Palma Gervásio, que se supõe pelo nome descendente do tal capitão Adolfo da Palma Gervásio, velho e importante personagem na terra e herói nacional. Mas certifica o narrador que se refere tal posse fundiária não é por pretensão de acusar toda a família Palma Gervásio de atentado ambiental, elementar egoísmo capitalista (até porque nas suas linhagens se encontram nobres e bispos), ou apenas para denegrir um nome de família como qualquer outro, e que se o faz é apenas para não faltar à verdade dos factos e dos tempos.

       Contudo, o nosso Borradeiro não seria em consciência dotado de uma elevada formação ecológica ou preocupações ambientais, pelo que a prova que a ele mesmo se propusera - atravessar o referido eucaliptal até ao sítio onde o sol apareceria -, se manteve inalterável, até porque desconhecia  a extensão e monotonia da paisagem que iria encontrar, e que as primeiras fileiras de árvores pareciam não confirmar.Isto porque na orla do eucaliptal a perder de vista era ainda possível encontrar urzes, silvas e arbustos diversos, além de variadas aves, em particular as canoras que encantavam alguns namorados e solitários mais dados à comunhão com a natureza, e que por essa franja rural passeavam exaltados ou apaixonados. Isto sem prejuízo do acumulado pontual de latas, plásticos e outros detritos mais orgânicos que sobejavam dos piqueniques que por ali alguns dos habitantes menos cuidadosos da cidade insistiam em fazer, e que atraíam as moscas de tonalidades mais abjectas e um variado leque de vermes e roedores de aparência repugnante. Complementava assim esta zona o bucólico e romantismo da natureza com a lixeira repulsiva e nauseabunda.



in  Como se de Uma Fábula se Tratasse, páginas 69 e 70

                                                   __________________________________

Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler o excerto acima publicado  ou  outro  dos diversos livros do autor

                                                __________________________________

Fernando Évora foi aluno da Escola Secundária Tomás Cabreira nos anos 70 do séc.XX.

                                            ____________________________

Biografia



Fernando Évora nasceu em Faro,em 1965.  Licenciado em História, obteve o prémio Damião de Odemira, em 1999, e, no ano seguinte, o prémio da ARCA, ambos na modalidade de conto.

Tem-se afirmado como autor de contos, modalidade onde já obteve vários prémios literários. Além de alguns textos dispersos e incursões na literatura infantil, em 2001 publicou uma pequena novela histórica, A Fonte de Mafamede, como resultado de menção honrosa obtida no Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes, e uma quase fábula, Como se de uma fábula se tratasse e No país das Porcas-Saras. Em 2012 editou Amor e Liberdade de Germana Pata-Roxa.








ligações

Felizardo, Maria Graciete






INSPIRAÇÃO

Quando pela envolvência da noite
E pela realidade do dia
Na magia da madrugada
Espreita a inspiração
Com imaginação ou verdade dos factos... 
A criação visita o poeta,
Pela janela entreaberta
E abre-se a porta dos sonhos
Transformando pensamentos 
Voando ao sabor dos ventos
Nas tristezas e alegrias
Só aos poetas e na sua fantasia
Se dá tamanha aspiração
Na mais original e aprazível poesia!

in Encontros mais-que-perfeitos

Faro,10/10/2018 


TEMPOS DE INFÂNCIA


Ao voltar à minha infância
Revivendo caminhos do passado,
A ribeira de águas límpidas,
Convidando a saltitar!

De seixo em seixo, já polidos

São lembranças de tempos idos...
E quando os campos verdejantes
Chamavam para rebolar!?

Depois de se apresentarem maduros
De um dourado sem igual!
Sobressaíam as belas papoilas,
Com o seu vermelho a pintar!

E quando chegava a primavera!
 Com as suas flores silvestres
 As mais belas que se viam!
Inspirando-se os aromas campestres.
 E o chilrear dos passarinhos?

Ouvia-se o cantar do cuco e da cotovia!
E quando o calor apertava...
A sinfonia das cigarras,
Com o seu belo entoar,

Tornando os campos melodiosos
 De um sossego incomparável,
 No aconchego do lar!

E quando chegava o entardecer...
Sentindo-se uma aragem agradável,
Eram horas de recolher,



Para descanso e alimentar!
Reunia-se a família,
Para ouvir algumas histórias de encantar!



In “Encontros Mais que Perfeitos” Janeiro,




“Sonhos de Criança” 

A chuva cai
E vem em brandos passinhos,
Não se ouve nada!
Escorre pela janela,
Cai de madrugada
E, devagarinho!
Com muita cautela
Começa a correr,
Vem mais apressada,
Ouve-se a bater
Nas pedras da calçada...
Fazendo barulhinho,
Vai lavando as ruas
E as folhas regar,
Os prados e montes,
A relva e as fontes,
A sede matar,
A todos os bichinhos.

Sem guarda chuva,
Saindo para a rua,
Porque ela parou,
Caída do céu.

Lá se vai a chuva,
Na sua corrente sem parar...
E o sol cá ficou
Com seus raios a brilhar!

in Sonhos de Criança


                                                   _________________________


Para participar no concurso "Cont'Arte Leitura Áudio 2020" pode ler um dos poemas  acima ou qualquer outro da escritora Maria Graciete Felizardo                           

                                   _________________________________


Biografia

Maria Graciete Felizardo  foi aluna da  nossa escola quando  esta se chamava Escola Industrial e Comercial de Faro nos anos 60 do século XX. Frequentou o Ciclo Preparatório e o Curso Geral do Comércio.



Franco, Carlos Augusto Lyster


LYRIOS BRANCOS

        À Exma. Sra. D. Maria Eugenia de Mello e Albuquerque

É tudo fumo vão; pó e cinza que o vento leva
de monte em monte e de vales em vales!
É pó e cinza a estrela a rir no firmamento!
é fumo o suave olor[1] que o lírio tem no cálix[2]!

 J. A. de Castro.

No luminoso País da Ventura, longe, muito longe da perversidade dos homens, num rincão[3], onde as flores têm a macieza dos arminhos[4] e as brisas são impregnadas dos mais suaves perfumes, existe um grande lago, cujo perímetro é debruado pelo verde musgo e em cujas cristalinas águas, onde pululam peixes cor de oiro, se espelham os mais formosos lírios brancos.
Tão lindos como efémeros, duram um só dia, um instante quase.
Começam sorrindo às alvoradas e morrem ao declinar do sol!
De manhã, na limpidez do ar, os seus graciosos hastis[5] animados pelo calor vivificante do sol, erguem-se majestosos, parecendo sustentar flores ideais feitas de prata e de cujas pétalas de brancura deslumbrante, irradiam reflexos de cetim
Que lindos são os lírios brancos!
Inutilmente, porém, o sol busca, ao despedir-se saudoso da terra, colori-los com as rúbidas[6] cores do poente.
Declina a tarde, e eles pendem, emurchecidos[7] e tristes, sobre as ondulantes águas do lago e terminam, na paz daquela hora crepuscular, a sua efémera existência florida.
Na madrugada seguinte, outros ressurgem, ainda mais belos, mais lindos... a deliciar a vista dos imortais que vivem no País da Ventura ...
Só as nossas esperanças, lindas... tão lindas como os lírios brancos e como eles efémeras[8], morrem em cada dia para não mais ressurgir!  


[1] Cheiro muito bom, aroma muito agradável.
[2] Cálice, invólucro da flor (,copo pequeno com pé).
[3] Recanto; lugar afastado, sítio longínquo.
[4] Animal de pequeno porte cuja pele é/era aproveitada para golas de casacos.
[5] Pés ou hastes das flores.
[6] Vermelhas, rubras.
[7] Murchos, mirrados.
[8] Que tem pouca duração.



                                          ________________________

Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler o excerto acima publicado ou qualquer outro do autor

                                     _________________________

Carlos Augusto Lyster Franco  foi  um dos maiores vultos da cultura da cidade de Faro, lecionou  nas Escolas Pedro Nunes, Escola Normal Superior, Escola Tomás Cabreira e Escola do Magistério Primário, tendo sido igualmente diretor da Escola Tomás Cabreira e Pedro Nunes
                                           
                                                _____________________________


Como curiosidade apresentamos um recorte do Jornal O ALGARVE de 2 de outubro de 1932


Biografia

CARLOS AUGUSTO LYSTER FRANCO

           Natural de Lisboa, veio para Faro em 1901. Foi professor, comissário distrital de Polícia, director do Posto Meteorológico D. Francisco Gomes, jornalista, pintor, Presidente da Câmara Municipal de Faro em 1919 e Vereador da mesma autarquia em 1919-22. 
            É deveras impressionante a aptência e preparação profissional deste homem, que foi professor em várias escolas da cidade, mas em matérias diferentes, o que certamente lhe exigia uma preparação sólida mas diversificada. Foi comissário de Polícia onde  lhe seria exigido o conhecimento de leis, foi diretor do Posto Meteorológico onde lhe exigiriam conhecimentos de geografia física. Como jornalista deveria ser possuidor de bons conhecimentos de literatura, como pintor deveria ser possuidor de intuição e habilidade de mãos e teria  ainda conhecimento de gestão de empresas para estar preparado para o desempenho do cargo de Presidente e vereador da Câmara.
           Faleceu em 1959.


  

Franco, Mário Augusto Lyster




Do Natural

Tenho no meu quintal uma figueira
Que não tem grande encanto de roupagem,
Passa parte do ano sem folhagem
E não cresceu bonita nem fagueira.

Nasceu junto à janela do meu quarto,
Faz-me barulho quando a noite venta,
Só a minha paciência a aguenta
Nas muitas vezes em que já estou farto.

Quando aos seus figos é um encanto ver,
Dá-me bastantes que os pardais me levam
Mas dentre aqueles que os marotos deixam
Ainda ficam muitos para comer.

Mas o mais belo que eu encontro nela
Está numa haste que num gesto amigo
Tem qualquer coisa para ver comigo
E vem trazer-me os figos à janela.

São meia dúzia, sua graça vem
Por serem símbolo do que vai por cá
O magro prémio que o Algarve dá
Aqueles filhos que lhe querem bem!...

Mário Lyster Franco

in "Correio do Sul"


                                                     _____________________________

Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler o  poema acima publicado  ou  outro texto  do autor.


                                                       _________________________________

Em 1914, com 12 anos, Mário Augusto Barbosa Lyster Franco foi o primeiro aluno matriculado no curso elementar de comércio recém criado na Escola Industrial e Comercial de Pedro Nunes em Faro.
                                                     
                                                             ___________________________________

Biografia


 Mário Augusto Barbosa Lyster Franco  nasceu em 19 de Fevereiro de 1902, filho do professor e jornalista Carlos Lyster Franco.

Carreira literária e profissional


Destacou-se desde cedo como um jornalista, tendo começado a escrever para o jornal O Algarve aos 8 anos de idade. Aos 13 anos, fez parte do I Congresso Regional Algarvio, na Praia da Rocha, em Portimão. Enquanto frequentava o liceu, fundou uma revista com António do Nascimento, e escrevia poesia para o jornal farense O Heraldo. Fez parte do movimento de poesia futurista.

Entrou na Faculdade de Direito de Lisboa, onde concluiu a sua licenciatura em 1927, regressando depois ao Algarve. No entanto, não exerceu de forma significativa como jurista, tendo trabalhado principalmente como jornalista e como investigador. Também exerceu como jornalista em Lisboa, durante a sua estadia na Faculdade de Direito e posteriormente, tendo trabalhado como redactor nos jornais A Pátria, O Tempo e A Palavra. Foi um dos primeiros jornalistas portugueses a cobrir a Guerra Civil Espanhola, tendo em 26 de Julho de 1936 viajado até Sevilha a bordo do avião Águia Branca, de forma a fazer uma reportagem para o jornal Diário de Notícias. Exerceu igualmente como redactor regional daquele periódico durante cerca de trinta anos. Como jornalista, homenageou as principais figuras da cultura do Algarve, como poetas, escritores e historiadores, especialmente no jornal Correio do Sul, onde também exerceu como director durante mais de quarenta anos. Conseguiu afirmar o jornal como um dos mais notáveis na região do Algarve, que defendia tanto as ideias nacionalistas como oposicionistas, embora sempre lutando pelos interesses da região.

Mário Lyster Franco lutou principalmente pelo desenvolvimento cultural e económico do Algarve, tendo sido, durante mais de setenta anos, um divulgador da região, tanto a nível local como em Lisboa. Nesse sentido, organizou e participou em várias conferências e exposições, e editou vários livros, jornais e revistas sobre o Algarve. Editou cerca de trinta livros sobre diversos assuntos, incluindo história e turismo, tendo sido pioneiro na publicação de guias bilingues sobre o Algarve, em 1944. Também reuniu uma importante biblioteca de livros sobre o Algarve, que na altura chegou a ser a maior na região, e que após o seu falecimento foi parcialmente transferida para a Região de Turismo do Algarve. Além de livros, a colecção também incluía o arquivo do jornal Correio do Sul, que foi preservado na biblioteca da Universidade do Algarve. A partir da década de 1980, Mário Lyster Franco começou a trabalhar na sua obra Algarviana – Subsídios para uma Bibliografia do Algarve e dos Autores Algarvios, uma publicação enciclopédica sobre a região, cujo primeiro volume foi editado pela autarquia de Faro em Dezembro de 1982. O segundo volume não chegou a ser publicado, devido ao falecimento de Lyster Franco em 1984.

Mário Lyster Franco também se dedicou à arqueologia, tendo sido nomeado como correspondente do Instituto Arqueológico Alemão em 1960. Foi um dos investigadores regionais que estudou a antiga cidade romana de Balsa, perto de Tavira.

Devido às suas fortes tendências regionalistas e nacionalistas, Mário Lyster Franco foi nomeado pelo Estado Novo como presidente da Câmara Municipal de Faro durante dois mandatos, de 1932 a 1934 e 1937 a 1939. Exerceu posteriormente como vereador na autarquia de Faro. Durante a sua permanência na autarquia farense, destacou-se por ter introduzido vários melhoramentos na cidade, como o Museu Antonino em 1932, e o monumento a José Bento Ferreira de Almeida.


Falecimento


Mário Lyster Franco morreu em Camarate, no concelho de Loures, em 20 de Agosto de 1984.

Homenagens


Mário Lyster Franco foi condecorado com o grau de oficial na Ordem Militar de Cristo em 5 de Outubro de 1932, e com uma comenda da Ordem do Mérito Civil de Espanha.

O nome de Mário Lyster Franco foi colocado numa rua em Loulé.

Em Novembro de 2018, a Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve, a Biblioteca da Universidade e o Club Farense prestaram homenagem a Mário Lyster Franco, com três conferências e a exposição Mário Lyster Franco: do Algarve ao Mundo.
Mário Lyster Franco começou a trabalhar na sua obra Algarviana – Subsídios para uma Bibliografia do Algarve e dos Autores Algarvios, uma publicação enciclopédica sobre a região, cujo primeiro volume foi editado pela autarquia de Faro em Dezembro de 1982. O segundo volume não chegou a ser publicado, devido ao falecimento de Lyster Franco em 1984.




in Wikipedia

Fraqueza, Maria José









Saudades de Minha Terra

Do alto da tua torre

Como é lindo o mar que se espraia
Na praia!...
Fuzeta! Meu Rio Oeta! 
Saudades da tua foz!
Nas águas mansas do teu rio
 Cantaram sereias ao desafio 
Nas águas do teu Olheiro 
Que iam nossas avós
É um sonhar de ilusões! 
Passaram tantas gerações!
 Na página do teu diário
 Decorrido um centenário 
Escrevo-te esta missiva 
Fazendo uma retrospectiva 
De minhas recordações 
Soaram teus "carrilhões" 
Carpindo a tua sina
Fuzeta velhinha!
Igreja menina!
Como eram belos os pregões 
Da Tia Estina
Oh! que saudade!
Fuzetenses bem ufanos
Recordai a mocidade! 
Recordai o "Pai Andrade" 
Com suas belas cantigas 
Que cantava às raparigas 
No seu jeito de versar
À sua noiva do mar! 
Para aliviar a mágoa,
Recordai o "Zé da Água"
Que levava a água aos "altares"
Água das águas dos mares
Maresia de água benta 
Água de poços e abismos 
Água benta dos baptismos 
Minha Fuzeta Velhinha! 
Tu tiveste teus heróis
Na pesca e seus anzóis 
Como o Chico Larencinha 
Ali, pertinho de ti, 
Oh! Minha igreja branquinha!
Estão glórias do passado 
Naquele lugar sagrado 
Tu és o maior monumento 
Escrito na palavra sentimento 
És o mais belo mosteiro!
Cabe nele, o meu amor verdadeiro.
(Menção honrosa nos Jogos Florais de N. S. do Carmo Fuzeta — 1986) 

in Histórias da Minha Terra,  páginas 93 e 94


           Para participar no concurso "Cont'Arte Audioleitura 2020" pode ler um dos poemas acima publicados  ou qualquer outro da autora.

___________________________________

          Maria José Fraqueza foi aluna nas Escola Serpa Pinto e Industrial e Comercial de Faro (EICF) na primeira metade dos anos 50 do século XX e alguns anos depois, nos finais dos anos  60 do século XX, foi professora da mesma escola.

___________________________________

Biografia


        Maria José Viegas da Conceição Fraqueza, nasceu na Fuzeta em 8 de Maio de 1936.
       Actualmente, é professora [aposentada] de Secretariado, na Escola C + S Dr. João Lúcio — Olhão. Passou por diversas escolas, onde desenvolveu núcleos de teatro amador, poesia, canto, etc., nomeadamente em: Almada, Estremoz, Faro [foi professora da Escola Industrial e Comercial de Faro nos finais dos anos  60 do século XX] Vila Real de Santo António e Olhão. Praticamente, toda a sua vida tem sido centrada nos seus alunos e na sua actividade profissional, dedicando parte da sua obra poética a estes, vivendo apenas na "poesia" para o seu "pequeno-grande Mundo" —as escolas, por onde passou, onde revelou sempre a sua "espontaneidade de poetisa repentista" — disso, constatam alunos e colegas que lidaram com a poetisa de perto.
             Em 1985, começou a concorrer a Jogos Florais, tendo, a partir daquela data, obtido alguns prémios, que a tornaram mais conhecida. Mas, foi precisamente através da Rádio Lagoa e graças a Edmundo Falé, que passou a ser conhecida de "um público mais numeroso" e a desenterrar a "poesia adormecida na gaveta".
            A poesia sentimento centrada no amor à sua terra, aos seus amigos e familiares, é um lado apaixonante da poetisa. Gosta, sobretudo, de transmitir alegria ou conforto aos outros, daí a razão de ser, dos seus versos, da sua poesia realista, por vezes, "picante", com extraordinário sentido de "humor"variado o seu "estilo de  versejar". Contudo, a poesia narrativa é uma característica dominante e original do seu trabalho.
          Daí, a razão de ser da sua opção.


Adaptação da contracapa do livro Histórias da Minha Terra publicado em janeiro de 1989


Dedicatória da autora no livro Histórias da Minha Terra

Sobre a obra desta Autora Cont'Arte e o seu valor, é importante reler  as doutas palavras do Dr. Joaquim Magalhães,outro importante Autor Cont'Arte,  reconhecido precisamente pelo seu apoio à literatura popular, no Prefácio do livro  Murmúrios do Mar  onde,  reconhecendo o valor da obra  também traduz o espírito do nosso concurso de audioleitura   quase... como se fosse uma profecia...

Luz Verde e Bandeira Azul



Inicia assim o seu «Murmúrio»... o Ex.m° Sr. Dr. Joaquim Magalhães...

(...)
           
         Curiosamente a autora destes «Murmúrios do Mar», agora em vias de continuação das «Histórias da Minha terra» que foi edição da Associação dos Poetas Populares do Alentejo e Algarve, acompanha a linha desses espontâneos, mas com uma formação académica e aspirações pessoais mais alargadas.
            Lendo, como devem ser lidos, estes «Murmúrios do Mar», em voz alta, mas não tanto que se atraiçoe o título, os leitores se aperceberão de que Maria José Fraqueza insiste nesta segunda obra num género literário, digamos, consagrado noutros tempos, mas muito menos usado, hoje em dia. Refiro-me ao soneto, forma de cerca de metade das composições do livro. Não direi que o rigor da métrica seja sempre perfeito, mas registo o impulso lírico espontâneo de sinceridade, de que, naturalmente nos apercebemos na tal leitura em voz alta, que, outra vez, se recomenda. E, quando assim lemos, vamos entendendo que não é o metro rigoroso a medida exacta da espontaneidade da escrita.
           E quem assim se apresenta sem pretensões merece uma saudação amigável e amiga que, pelo que me toca, não só não regateio, como o faço com muita simpatia e recomendo com a maior sinceridade.
         Escutem, de alma e coração abertos, estes «Murmúrios do Mar» e leiam-se os sonetos e demais poemas do volume como canções para uma construção de castelos da poesia à beira-mar, deste mar do Algarve, apanhado em «murmúrios».
          E fica assim mais alargada a obra de Maria José Fraqueza.
          Depois das «Histórias da Minha Terra» ia quase a dizer, histórias «ou murmúrios do meu mar». Também merecem luz verde e bandeira azul.

17 de outubro de 1989

Dr. Joaquim Magalhães

_________________________

E porque este blogue é de Autores Cont'Arte, a prefaciar o mesmo livro de Mª  José Fraqueza encontra-se um texto do Dr. Honorato Ricardo, ilustre estudante e professor da nossa escola, que pela sua raridade passamos a transcrever: em breve..