terça-feira, 5 de janeiro de 2021

José Inácio de Brito

A vida profissional do nosso "Mestre Zé de Brito" passou por Faro, Évora e Porto, onde foi professor, diretor e orientador de estágios pedagógicos.
Em 1949/1950, aquando da inauguração da Escola Técnica Elementar Serpa Pinto, em Faro*, José de Brito iniciou as suas atividades pedagógicas na companhia de outros ilustres professores: "o Diretor e conhecido pintor Jorge Escalço Valadas, os drs. Formosinho Mealha, Conceição Sintra, eng. Diamantino Piloto, prof. Américo Nunes da Costa, cónego Vieira Falé, mestres, além do referido, José Alfredo de Sousa, Mário Mateus, António Nicolau, etc", como "Auxiliar Provisório   de Trabalhos Manuais.
Nos anos 50 a 70 desenvolveu a sua atividade na Escola Industrial e  Comercial de Évora** onde desempenhou as funções de Presidente do Conselho Diretivo.

O Mestre José de Brito é também artista e o seu amigo e antigo aluno João Leal, num dos seus artigos realça a beleza dos seus trabalhos em talha e refere que estes são dignos de pertencer ao espólio de qualquer museu, nomeadamente ao Museu Municipal da sua cidade natal. 



E é da autoria de José de Brito o logotipo da nossa AAAETC - Associação dos Antigos Alunos da Escola Tomás Cabreira, cujo blogue pode ver aqui. O seu nome também foi atribuído pela AAAETC ao prémio "Melhor Aluno do Ano de 2014/2015".


Fotografia de 2018 no blogue AAAETC com Brito Figueira, José Brito, Isabel Coelho, Mário Zambujal, Poeira e Piloto.

E divulgamos também o blogue da AAA-EICE-EGP (Associação dos Antigos Alunos da Industrial e  Comercial de Évora - Escola Secundária Gabriel Pereira), onde podem ser encontras muitas referências ao Mestre Brito.

Fotografia de 2012 no bloque AAA-EICE-EGP com Estevão Ramalhosa e Esposa, Marcos Olimpio e José Brito (Mestre Brito)

Links:

Crónica de Faro: Os 90 anos do “Mestre Zé de Brito”, artigo publicado no jornaldoalgarve.pt em 9/3/2019, pelo nosso João Leal*, de que, com a devida vénia, reproduzimos: "No mestre José Inácio de Brito, para todos e apenas tratado, com carinho, respeito e afeto pelo “Zé de Brito”, reúnem-se múltiplos itens que vão do aluno dedicado e pedagogo reconhecido (Faro, Porto e Évora), ao “embaixador” do seu querido Algarve, de modo próprio na capital alentejana. Ao interventor cultural e associativo, ao artista (a sua casa, ali nas traseiras do campo da feira, é um museu e dele é o emblema – símbolo da Associação dos Antigos Alunos da Escola Tomás Cabreira), ao exemplar e devotado chefe de família, ao cidadão íntegro e vertical e ao amigo, que tem o coração do tamanho do Universo onde cabem todos os seus amigos, que inimigos nunca lhe conhecemos".

- Crónica de Faro:  Bodas de Prata dos “costeletas", artigo publicado no jornaldoalgarve.pt em 16/4/2016, por João Leal, de que destacamos:  "Como sempre acontece em “dia de aniversário” a festa decorreu com o almoço na cantina, bem pertinho da Alameda, um mundo prenhe de recordações e dois factos, para além do convívio em si mesmo, se destacaram: a entrega do prémio “Melhor Aluno 2014/15” que o foi para a hoje aluna de Economia da Universidade Nova de Lisboa, Isabel Inês Soveral, de que se encarregou e, este ano, escolhido para patrono da distinção, o professor Mestre José Inácio de Brito..."
 
Fotografias de 2016 no blogue da AAAETC: Inês; O Patrono Professor José Inácio de Brito e a Diretora Ana Paula, entregam o prémio à mãe da aluna Costeleta Inês Quintas Soveral

* A Escola Escola  Técnica Elementar  Serpa  Pinto, integra o histórico da Escola Secundária de Tomás Cabreira, em Faro.
** A Escola Industrial e  Comercial de Évora é atualmente a Escola Secundária Gabriel Pereira.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Leal, João


 João Francisco Manjua Leal

 

"Mais do que uma barreira natural separatista, o Guadiana (que o sempre lembrado José Barão nos legou esse gesto tão prenhe de significado de percorrer desde o seu nascimento num aprazível local a 1700 metros na Lagoa da Ruidera, na província espanhola de alicante até à foz, na Terra Mãe da pombalina Vila Real de Santo António) tem que constituir, mormente nestes tempos de crise global, o “Rio Jordão” de uma cooperação multirregional e de lançamento de iniciativas e realizações que possam ter impacto à escala universal, como sucedeu nos séculos XV e XVI.
Vem isto a propósito do desconhecimento existente entre os povos vizinhos e amigos, algarvios e andaluzes, por vezes unidos por secular laços familiares e tantos outros e que a Ponte Internacional, com tantos anos de atraso, veio concretizar no seu betão e na funcionalidade, desde o ano de 1992, a quando da Exposição Universal de Sevilha, na assinalada comemorações do V Centenário do Descobrimento das Américas.

"Tão perto e tão distantes" (excerto) de artigo de João Leal no Jornal do Algarve

Biografia

Nasceu em Faro, em 1937.
 Foi aluno nas escolas "Serpa Pinto" e "Industrial e Comercial de Faro" / Escola Secundária de Tomás Cabreira, no final dos anos 40 e nos anos 50 do século XX.
Diretor e professor da Escola de S.Luís
Diretor e professor da Escola da Fuzeta (anos 60/70 do séc.XX)
Professor de jornalismo no Liceu de Faro
Fundador da Região de Turismo do Algarve 
Assessor do Governo civil de Faro.

 É um dos mais conceituados jornalistas algarvios. Começou há mais de seis décadas, tendo colaborado em muitas publicações da impressa escrita, regional e nacional, e também em algumas rádios. Trabalhou pelo prestígio do seu Algarve quando exerceu funções na Região de Turismo do Algarve e no Governo Civil de Faro. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Reis d'Andrade

 






"Nº 1000- ANO 20°

Quando recebi o convite do saudoso José Barão era quase um moço pequeno. Há vinte anos, imaginem! Aonde os cabelos brancos, as rugas, as saudades, as preocupações e a úlcera?
 
Contudo, já escrevia para os jornais e José Barão conheceu-me através de   "O Século" onde desempenhava as funções de redactor com grande brio profissional, (ele). Todavia, a ideia de fundar um seminário regionalista não lhe saía da mente e, amando como amava a província do Algarve, amadureceu o projecto e lançou para a luz radiante do sol da nossa terra, o jornal que ainda hoje se publica em Vila Real de Santo António.

E em boa hora o fez para defesa dos interesses algarvios, donde ressaltavam os assuntos e problemas locais, analisados e mencionados por colaboradores de honestidade comprovada.

No que se refere a Fuzeta, tem esta importante localidade piscatória sido objecto de reportagens, crónicas, notícias, poemas, contos, nas páginas deste semanário desde o seu início. E verdade; desde o número um. Que os meus camaradas colaboradores ou cronistas me perdoem, mas é com orgulho que declaro que, a Branca Noiva do Mar está presente no Jornal do Algarve desde o dia 30 de Março de 1957.

Com a morte do seu Director, a dedicação à Fuzeta não se apagou, tendo surgido ainda novos colaboradores para manter bem acesa a chama defensiva dos interesses desta terra.

Se às vezes nas suas colunas falha por ventura o nome da Fuzeta, isso não é mais do que simples contratempo (falta de espaço, atraso na composição, e sobretudo falta de assunto). Sim, porque nem todos os leitores tem pachorra de aturar as diatribes de Policarpo; os discursos prolixos de Lopinhos; as conferências do professor Aldrabako ou as poesias salobres do signatário. Isto, sem falar da barra! Porque esse assunto.. Já José Barāo dizia: " Se a barra da Fuzeta não for desassoreada, não é por causa do Jornal do Algarve!"

Reis d'Andrade"

In "Crónicas do Alto da Torre" sobre o início da sua colaboração no jornal "O Algarve"

BIOGRAFIA

João de Deus dos Reis Andrade
Nasceu na Fuzeta, Olhão, 26-5-1932  e faleceu em Faro, 15-3-1998.
Frequentou a Escola Industrial e Comercial de Faro / Escola Secundária de Tomás Cabreira, em Faro.
Poeta, dramaturgo, jornalista, filatelista, músico, pintor, caricaturista, figura  incontornável da cultura olhanense.

Personalidade multifacetada, profissionalmente, foi chefe da Secção as Lotas e Vendagem de Peixe e simultaneamente um homem da cultura e do desporto, fundando várias associações artísticas e culturais que levaram as suas peças teatrais pelo Algarve inteiro, tais como:

"A Lenda das Duas Cidades"

"Histórias da Minha Aldeia"

"A Branca Noiva do Mar"

"Os Filhos do Ti Leandro"

"Alguidares de Barro"

 "Quem conta um Conto..." 

Num recente post o Dr. Vilhena Mesquita  in facebook de VM, 10-10-2020. relembra a figura de Reis Andrade,a propósito do falecimento da sua esposa , que sempre lutou para que "os algarvios não esquecessem a sua memória nem a sua obra literária".

Nesse mesmo texto aproveita para citar algumas"grandes figuras da cultura algarvia...injustamente esquecidas" como:

Emmanuel Correia, José Manuel Pereira, José Diogo Cabrita, Rodrigues Neto, Dr. Jorge Correia, Garcia Domingues,  Elvira Rocha Gomes, Quina Faleiro, Fonseca Domingues, Vivaldo Beldade, Abílio Gouveia, Fernando Mascarenhas, Antero Nobre, Aníbal Guerreiro e Luís Pereira.

Nesse mesmo post,  Brito Figueira, antigo aluno da Escola Tomás Cabreira, comenta  que  além de ter sido seu colega, recorda-se que :"Então, além da "veia" que despertava, era o sentido de humor. Fazíamos roda à volta dele..." 

No Artigo de Vilhena Mesquita sobre Reis d 'Andradein blogue Algarve - História e Cultura, 16-08-2009 encontra-se informação bastante completa sobre o autor e a sua personalidade.

BIBLIOGRAFIA

1997 "O Auto dos Cravos Vermelhos"

2002 "Crónicas do Alto da Torre"

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Uva Júnior, José de Sousa

José Sousa Uva




    





A caricatura do autor,foi desenhada por outro antigo aluno e professor das nossas escolas. Quem adivinha?

(Resposta no final do post.)

Poema de José Sousa Uva sujeito ao seguinte mote:

 Mote

Nunca pode quem não ama
Dizer que goza algum bem,
Julga viver e não vive,
Julga ter alma e não tem.


        ------
Chega a ser forte tortura
O beijar hoje uma dama,
Tolerar tanta pintura
Nunca pode quem não ama.
        ------
Dá-se um beijo, vai-se a tinta,
Vejam lá que graça tem?!
Como pode quem se pinta
Dizer que goza algum bem?
        ------
E quem rape as sobrancelhas,
Ou da face a cor avive,
Para amor, é como as velhas,
Julga viver e não vive.
        ------
Caralinda ao natural,
Essa, sim que agrada bem.
Quem "batom usa, afinal,
Julga ter alma e não tem.


Retirada do blog BRACADAS de João Brito e Sousa, de uma crónica sua, onde recorda  Poemas do  Dr. Zé  Uva:

LUA VELA....

 

Se da insónia o tormento
Me acutila o pensamento
Porque és nova, porque és bela,
Em noites de Lua Cheia
Só me consola esta ideia
É certo que a Lua vela.

Como eu, a triste Lua
Só tem luz que não é sua
Pois deixa-a de manhã cedo,
Não me deixes tu também
que a luz só de ti me vem
mas, louca, não tenhas medo...

Terás mais luz e mais brilho
Se o bom Deus nos der um filho,
Formoso como uma estrela.
Gostas de estrelas ainda?
Faz uma lua tão linda!
Vem conversar à janela..

Vem ver o Céu pois eu quero
Dizer a Deus quanto espero
Do meu filho, o meu brinquedo!
Se nos beijarmos com ânsia...
Isso não te importância
Que a Lua guarda segredo...


Biografia

Nasceu a 14 de agosto de 1890
Natural de S. Brás de Alportel
Exerceu a atividade docente na Escola Tomás Cabreira onde lecionou Noções de Comércio, Direito Comercial e Economia Política
Foi diretor  da mesma escola
Poeta, repentista e compositor musical destacou-se na música tradicional algarvia, tendo composto o corridinho "Estão Verdes".

 Resposta: Francisco  Zambujal

Silva , Orlando Augusto da






Do livro "Folhas  e Flores de Mim" transcrevemos alguns poemas:


INSÓNIAS

O sono encurta
E a noite alonga,
Então sou náufrago
No mar obscuro da insónia
Onde o farol da vida
Ilumina o confuso
E confunde o presente
Que se afunda nas águas
Negras e profundas
Do pensamento confundido,
Nos destroços do naufrágio
Deste mar de maré viva
Se afunda o real
E se perde a flor de sal.


P'la manhã outra miragem,
Olho defronte
Vejo a paisagem
Outro horizonte ...

ENFIM

É mais efémero o ruído

Do aplauso
Que o silêncio da ternura,
Um permanece no olvido,
Outro fica quedo, perdura.



Lavrador


Numa entrega total, o lavrador,
Num esforço heróico quase bruto,
Desbrava e trata a terra com fervor
Na esp´rança do almejado fruto.


De si se esquece e pouco lhe dói;
Numa luta imensa, nunca se cansa…
Com trabalho insano ele constrói,
E o que fora sonho, torna-se esperança.


Que imenso esforço tiveste!...
Quanto suor te correu p´la testa…
Ao rasgares esses montes tu fizeste,
De matos esquecidos, enorme festa.


Quantos anos nessa forma se quedaram
Esses montes de estevas e silvados;
Que, p´la força do engenho se tornaram
Em campos de querer, agora cultivados.


Como enormes cabeças de gigantes,
Ou hirtos seios de Deusas adormecidas,
Nesses montes surgirão refrescantes,
Árvores de fruto, e sombras apetecidas.


E mais não foi que a vontade de querer;
De dar à terra ávida e ressequida,
O braço forte e a água que quiser…
Dessedentando-a, e dar-lhe vida.

Do livro “Avô”2001

Enviado pelo Poeta Orlando Augusto da Silva e publicado pela Associação Antigos Alunos Escola Tomás Cabreira em 10:35 AM 7/28/2011 01:29:00 da tarde

Biografia
Orlando Augusto da Silva
Nasceu em Setúbal, em 1927
Frequentou a Escola Secundária Tomás Cabreira, então repartida entre a Rua do Município e o Largo da Sé, mas tudo na “Vila-a-Dentro”. 
Desenvolveu grande atividade literária que se concretizou em diversas obras publicadas e com presença em várias antologias de “poetas dos PALOP’S”.
Paralelamente, no setor da indústria do plástico, lançou novas realizações, impulsionando a economia local, com fábrica própria ali para o “Campo dos Blocos” (Bom João de Baixo) e estabelecimento comercial à mesma dedicado na Rua Filipe Alistão.
Na nota de pesar escrita pelo jornalista João Leal transcrevemos o seguinte parágrafo:
"Cidadão de comportamento cívico testemunhante fez um reto e honesto caminho de vida que motivava um assumido e geral apreço
Deixou-nos para todo o sempre e com ele foi abatida mais uma presença da resenha de cidadãos, a quem testemunhamos, como nascidos em Faro, o nosso apreço e admiração, por quantos não havendo vindo ao mundo nesta capital sulina, a amam como seus filhos."
Bibliografia
"Flores e Folhas de mim"2011
"Avô"2001

Bica, António



BIOGRAFIA

Nasceu em Estoi em 1937.
Foi aluno na Escola Tomás Cabreira 
Professor na escola de S. Luís e foi Delegado Escolar em Lagoa.
Acordeonista, integrou a Orquestra Típica Algarvia e a Império, entre outras.



https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Orquestra_T%C3%ADpica_Algarvia_de_Acordeon.JPG


Como diz o Jornalista João Leal, num excerto da sua Crónica de Faro no JA e que passamos a transcrever:

Crónica de Faro

"O Professor António da Cruz Bica, o outro deste excelso par de acordeonistas e primos estoienses, comigo trabalhou como Mestre Escola em Faro (Escola de São Luís) e encontra-se aposentado do mister pedagógico, vivendo em Lagoa, cujo Município há anos o distinguiu com a «Medalha de Mérito Cultural», pelo notável trabalho realizado, como foi o caso do Orfeão. Viveu em Moçambique alguns anos antes da descolonização. Tem um irmão, também antigo aluno da Tomás Cabreira, o Orlando João, aposentado da Câmara Municipal de Faro, autor de vários livros sobre técnicas e tácticas do futebol." 

https://jornaldoalgarve.pt/cronica-de-faro-dois-primos-valerio-e-bica-grandes-acordeonistas-de-estoi/

Rodrigues, Valério Quintas




 

Natural de Estoi

Acordeonista

Estudou na Escola Industrial e Comercial de Faro  "nas décadas de cinquenta e sessenta do século ido." como diz o Jornalista João Leal, na sua Crónica de Faro no JA e que passamos a transcrever:

"Crónica de Faro

Dois Primos, Valério e Bica, Grandes Acordeonistas de Estoi

Sempre a típica vila de Estoi, foi tal como outras localidades algarvias (Bordeira, Santa Bárbara de Nexe, Luz de Tavira, Lagos, Areeiro, Faro e tantas mais) terra de famosos e aplaudidos acordeonistas. Foi, entre outros, os casos dos primos carnais Valério Quintas Rodrigues e o Professor António da Cruz Bica, que brilharam nas décadas de cinquenta e sessenta do século ido.

De ambos fui amigo, colega na Escola Tomás Cabreira e, no caso do Bica na Escola do Magistério Primário, confesso admirador, de modo próprio quando escutávamos as «Csárdias», música inspirada no folclore húngaro e da autoria do compositor italiano Vitorino Monti (1904).

Eram a grande alegria e cartaz da Tomás Cabreira, pela animação que conferiam às festas escolares, bailes e excursões, em que nunca se escusavam a actuar.

O Valério Quintas Rodrigues, após a conclusão do Curso Geral de Comércio, enveredou pela carreira das Finanças Públicas, onde atingiu o elevado grau de Técnico Superior. Tal como seu primo António fizeram parte de importantes grupos musicais, como a Orquestra Típica Algarvia, de tão saudosa memória, a Império, a «Night and Day»,etc. O Valério faleceu em Setembro de 2010, deixando uma profunda saudade. Teve um irmão mais novo, o Virgílio,também «costeleta»."

https://jornaldoalgarve.pt/cronica-de-faro-dois-primos-valerio-e-bica-grandes-acordeonistas-de-estoi/

 Também transcrevemos do mesmo autor João Leal, a nota de pesar publicada no Blogue dos Costeletas : Associação Antigos Alunos Escola Tomás Cabreira em  9/30/2010

"A morte levou-nos mais um amigo dos bancos da Tomás Cabreiras, que frequentou no Comércio, nos finais da década de 40 e princípios de 50 do século XX. Desta feita foi o «costeleta» Valério Quintas Rodrigues, natural de Estoi, técnico superior das Finanças e um dos nomes mais famosos do acordeão algarvio, fazendo parte de várias orquestras, conjuntos e da sempre lembrada Orquestra Típica Algarvia, para além da animação que, com o seu primo Prof. António da Cruz Bica, motivava nos convívios e festas da nossa Escola.
Para o Valério a saudade da malta da Tomás Cabreira e que a sua alma descanse na paz de Deus ".
.


Viegas, Marcelino

 

Em construção

 Jornalista e político. Frequentou a Escola Tomás Cabreira nos anos 70.

Sousa, João Brito e

 

Do seu livro "Lucidez de Pensamento" publicamos o seguinte excerto:

"Na parte de trás da nossa casa havia uma nespereira majestosa. [...]

Às vezes, imaginava muitas nespereiras juntas. Como deveria ser belo observá-las, no seu verde intenso de Fevereiro. E se elas falassem talvez dissessem: Bom dia! Numa altura em que voltei de férias, a minha nespereira já não escava no seu posto.

— Foi arrancada porque estava velha, meu filho — disse-me a minha mãe. As árvores acabam, como nós. Para a minha mãe as coisas simplesmente acabam; eu não fiquei muito convencido disso. Para onde raio teria ido a árvore? Será que um dia ainda vou encontrá-la? Esta possibilidade acompanhou-me sempre, sobretudo durante as férias de Verão."


Publicamos também um poema dedicado ao seu colega Costeleta Jorge Tavares:

A RAZÃO


JORGE meu velho, do Largo de S. Sebastião
Querido amigo... que aqui não quero omitir !...
Não tenhas problema algum em dizer não
Porque cá estaremos nós p’rós erros corrigir

Às vezes acontece; é da velocidade do fazer
Mas o importante mesmo é colaborar....
Eu faço e refaço tudo p´ro blogue com prazer
E só lá para as tantas é que me vou deitar..

Mas isso, tudo faço sem nenhum cansaço
Tudo em prol daquilo que é o nosso espaço
Onde nos podemos encontrar e dar a mão!...

Por isso a todos os costeletas faço um pedido
Que nos unamos na mesma direcção e sentido
Para que todos tenhamos do nosso lado a razão


João Brito e Sousa

Biografia

Nasceu em Faro, no sítio de Braciais no dia 30 /12/1943
Fez a  escola primária  em Mar e Guerra.
Frequentou a Ciclo Preparatório da Escola Industrial e Comercial nos anos 1953 a 1955.
Frequentou o Curso Geral do Comércio na  nos anos subsequentes. com o nº de Processo 1738
Fez o Magistério Primário, em Faro
Fez a licenciatura em Contabilidade e Administração Fiscal, no ISCAL
Frequentou o doutoramento na Universidade da Estremadura, em Espanha
Foi professor primário e do Ensino Superior
Escritor, Poeta e jornalista

Bibliografia

"Lucidez de Pensamento" 2009

"O Teu Amanhã" 2012






Olívio, Tito

 



Em construção

 Poeta. Faro.


https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10215109680573957&id=1789828119&sfnsn=mo

Haussman, Adolfo



BIOGRAFIA

Artista. Professor na Escola de Desenho Técnico de Pedro Nunes, em Faro.
Nasceu em 1858 na Áustria em Viena e faleceu em Friedland em 1929.
Em 1889 veio para Portugal como professor de Desenho Ornamental nas Escolas de Desenho, onde trabalhou primeiro em Torres Vedras e depois em Tomar.
Em 1997 fixou-se em Faro até 1916.
Foi expulso de Portugal no início da 1ª Guerra pela sua origem e foi viver para Madrid. Ainda tentou regressar a Faro mas nunca o conseguiu.

Temos a carta onde faz esse pedido - procurar

Temos uma carta a defendê-lo?

A qualidade da sua pintura e os seus conhecimentos foram sempre reconhecidos em especial pelo diretor da Escola, o também pintor Carlos Augusto Lyster Franco que, conjuntamente promoviam as exposições de trabalhos escolares, no final dos anos letivos.

 Ainda como professor é considerado  um dos mentores do pintor Carlos Filipe Porfírio.

Como artista, o seu nome também está intimamente ligado ao monumento a Ferreira de Almeida, inaugurado a 5 de Julho de 1910 : o conhecido obelisco situado na baixa farense, na avenida de República. Foi por ele desenhado, enquanto  Mestre da Escola Pedro Nunes, , a escola profissional e artística fundada em Faro, em 1888, em edifícios da actual rua do Município. Nesse mesmo atelier lecionavam pintores de renome como Ezequiel Pereira e o  Diretor Carlos Augusto Lyster Franco. 



 A inauguração do obelisco  foi um momento alto na cidade de Faro, comparando-se mesmo a outros monumentos europeus do século XIX. Houve festa, representações teatrais, filarmónicas e discursos.
A construção do referido monumento foi possível pelas contribuições dos grande industriais de Faro e 
 foi executado nas oficinas do mestre canteiro Tomaz Ramos, situadas na rua Miguel Bombarda.

O medalhão em bronze desenhado por A. Haussman representando Ferreira d`Almeida

https://statues.vanderkrogt.net/object.php?webpage=ST&record=ptag026


E voltando ao artista Adolfo Haussman  é de salientar o facto de ter conhecido e trabalhado com o Pintor Gustav  Klimt um dos nomes mais importantes da Arte Nova, de quem sofreu grande influência.

Estas informações foram retiradas do resumo da tese de doutoramento em Belas-Artes /Desenho de Luís Augusto Fernandes Lyster Franco:

https://repositorio.ul.pt/handle/10451/8418

Da mesma tese sobre Haussman  retirámos estes dois autorretratos:



Gomes, Neto




Em construção


 Jornalista. Radialista. Escritor. Foi coautor do Livro "Algarve. 100 anos de República. 100 Personalidades. 1910-2101." Faro.

Neto, Teodomiro

http://www.terraruiva.pt/author/teodomironeto/


O texto seguinte foi publicado por Teodomiro Neto no seu Facebook no dia 30/10/2020 no seguinte link

 https://www.facebook.com/profile.php?id=100010722788325


"LES  MISÉRABLES" 

Iniciei a minha leitura na obra universal que o escritor francês, Victor Hugo publicou a 3 de Abril de 1862. Eu era um garoto  que havia feito o meu exame primário, pouco mais de dez anos, quando o meu avô-padrinho me levou à leitura desse admirável romance. Lembro, no seu dizer : "Vem cá. Já sabes ler, já és um "homem". Dito numa alegria. Fomos ao lugar de guardar o que não devia estar à vista. Num baú, cerrado, estava a sua "biblioteca", coberta de roupa. Retirou um grosso livro. Levou-me para uma pequena divisão, a que se dizia ser "sala". Eu olhei o livro, assustado, pelo tamanho e pela capa de coiro. "Abre", disse-me, acrescentando : "É um tesouro... Lendo-o, fará de ti um homem". Eu fiquei no futuro, por um tempo de leitura. No entanto, não me foi difícil entender "Les Misérables". A minha primeira cartilha, para entender o que viriam a ser os miseráveis do  meu país e do mundo. Eu era já um jovem, na puberdade, que lia uma plêiade de escritores proibidos : "Os capitães d ´Areia", de Jorge Amado, entre outros. Mas " Os Miseráveis", de Hugo, foi o livro que me marcou, uma obra do século XIX, um livro avassalador, classificado de obra "romântica"... Mas há que aprender, lendo, entendendo, ouvindo, se diz que o mundo tem duas partes. Temos ! Metade dele pertence  em riqueza, somente a 26 milionários, que são meio-mundo. A outra parte, a enorme e de milhares de milhões, os que a produzem para os tais  26 do meio mundo. Esses, alcunham-se de...nada. Victor Hugo deixou-nos  "Les Misérables", os do nada, sendo os produtores do tudo que não é seu ... Já o nosso João de Deus, tão bem o entendo...nesse tempo, que também foi o do francês, nesse tempo, nesse século inicial da modernidade política. Era o tempo da mudança cívica e humana, em que  Luís I, de Portugal, dá o início de respeito pelo ser humano, proibindo a "PENA DE MORTE", em Portugal. Tenho que ligar o João, o educador de Portugal, a esse Victor de França, nessa "conversa " de tão poucos a receber tudo, e de tantos a receber NADA...Quando o humanista francês faleceu, (filho de um general do império)em 1885. João de Deus dedicou-lhe, na sua admiração pelo autor imenso e, sobretudo de "OS MISÉRABLES", as suas palavras :"VICTOR HUGO / Corre a nação aflita / A ver se ele está morto/ Quem sabe ?/ O mundo absorto/ Espera a decisão/Que as multidões se assomem/ Que apalpem, tudo hesita /Porque era aquilo, um homem/ Um simples homem? / Não ! 

 "Les Misérables", quanto Mundo admira essa figura imortal, como o nosso João, que pouco mais iria viver.  Que um pequeno mundo recebe o exagerado, e o que o maior mundo produz...todos sabemos que tem de mudar.


Biografia

Nasceu em S. Bartolomeu de Messines em 1938.

 1954 veio para Faro completar estudos, onde trabalhava de dia e estudava à noite.

 Em 1958, começou a colaborar no semanário “O Algarve” como publicista.

Também colaborou com o "Correio do Sul", "O Jornal do Algarve"," O Diário de Notícias", "O Barlavento", "O Jornal de Letras", "O Olhanense" , "Terra Ruíva", "Folha de Domingo".

Foi essa colaboração nos jornais que o tornou um alvo da Pide e o levou em 1962 a ir para França. Culturalmente foi um novo mundo que conheceu, pois a Europa e nomeadamente a França eram o centro das novas ideias. Trabalhou em diversas áreas  em várias cidades da Europa e no Norte de África .

Licenciou-se em História 

Doutorou-se em História Política Europeia.

Foi professor, jornalista, historiador, dramaturgo, ensaísta.

"Em França desenvolveu atividade literária e jornalística, escrevendo para os jornais “La Gazette de Genéve”, “L’Espoir” e “Aujourd’hui”. Publicou, também em língua francesa, os seus primeiros livros: “Les Noces de Manolo”, “La Nuit de Marie Dumas”, “Poèmes de Marbre” e a biografia de “Jules Massenet”.

Nos contactos profissionais e de amizade estabelecidos teve oportunidade de privar com personalidades como o poeta Pablo Neruda, as irmãs Beauvoir, o comediante e encenador Jean Dasté ou os pintores Pablo Picasso e Carlos Porfírio." Segundo as palavras do jornalista e diretor do jornal "Folha de Domingo" Samuel Mendonça )

Em 1974 regressou a Portugal,  instalou-se em Faro mas continuou a sua vida profissional entre esta cidade e Saint-Etienne. Em Portugal dedicou-se à investigação, ao jornalismo e à encenação de várias das suas obras dramáticas.

Estas informações encontram-se no artigo "Teodomiro Cabrita Neto com placa toponímica em Messines" no Jornal "Terra Ruiva"

.http://www.terraruiva.pt/2019/07/12/teodomiro-cabrita-neto-com-placa-toponimica-em-messines/


BIBLIOGRAFIA

Em Francês

 “Les Noces de Manolo”
“La Nuit de Marie Dumas”
 “Poèmes de Marbre”
Biografia de “Jules Massenet”.

Em Português

 “O Último Concerto de Maria Campina” (1988),
 “Carlos Porfírio na pintura contemporânea algarvia” (1992)
“Café Aliança – Sua História – Suas Fotografias” (1995) (reeditado em 2008 no centenário daquele espaço de forma mais completa com o título “Café Aliança – 1908-2008 – Um século de história da cidade”).
“Faro no Verbo Amar” (1998)
“Teatro na História do Algarve” (2007), “Faro: Romana, Árabe e Cristã” (2009)
“O Futurismo Oficializou-se em Faro com o Heraldo” (2010)
 “As tentações de Maria Lua” (2011) 
 “Cidade Monumental” (2012).

Peças Dramáticas

“La Nuit de Marie Dumas” (1970)
 “Appassionata” 
 “Penedo Grande”
“Vitória das Amendoeiras”
“O Processo do Guerrilheiro” (1999 e reposição em 2006)

Prémios

Prémio Nacional do Teatro
Prémio de Imprensa Samuel Gacon
 Prémio Infante D. Henrique
 Prémio Internacional de Imprensa 
 Prix Antoine Guichard.
Em 1993 foi agraciado pela Câmara de Faro com a Medalha de Mérito – Grau Ouro
A Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines distinguiu-o em 2009, juntamente com outras 22 personalidades, na exposição “Notáveis Messinenses: Vivências e Contributos”.

Mais informações e acesso às suas obras poder ser encontradas no seu site:
https://teodomironeto.wixsite.com/teodomiro-neto


Berger, Maria Alexandrina Chaves








Nasceu em Faro em 3.1.1892 e faleceu em Carcavelos a 27.2.1979.
Iniciou os estudos na Escola de Desenho Industrial de Pedro Nunes, em Faro / Escola Secundária de Tomás Cabreira,  onde terminou o Curso, aos 16 anos de idade, com 19 valores
Frequentou  o Curso Especial de Pintura da EBAL e a Escola Normal para o Ensino do Desenho.
Foi  pintora e professora. 
Em 1922, em Lisboa, foi a primeira pintora algarvia diplomada pela Escola Superior de Belas Artes.
Recebeu ensinamentos particulares dos pintores Ezequiel Pereira e António Tomás da Conceição Silva
Realizou diversas exposições em Faro, Lisboa e Porto.
Participou, obtendo menções honrosas e várias medalhas, em Salões da Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa e no Estoril e nas exposições do Grupo de Artistas Portugueses, da Imagem da Flor, da Junta da Província da Beira Alta, dos Pintores do Sul, no Salão Silva Porto e outras nacionais e estrangeiras.
Expôs em 1957, na SNBA, uma série sobre as praias e as falésias do Algarve.
Encontra-se colaboração da sua autoria na na II série da revista Alma nova (1915-1918).
Casada com o escultor Rogério Paletti Berger (1899-1965).
Irmã de Raul Pires Ferreira Chaves, de Olímpio Ferreira Chaves e de João Carlos Pires Ferreira Chaves.



No “Dicionário de Mulheres Célebres”, (de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 139). podemos ler sobre a pintora:

 "Por manifestar grande habilidade para o Desenho, parecendo às tias que a criaram, ser de mais futuro o Curso de Professora do Ensino Primário, conseguiram-lhe uma autorização especial para entrar na Escola do Magistério Primário com apenas 13 anos de idade.

Vem para Lisboa, onde recebe lições do Mestre Conceição Silva e frequenta as aulas nocturnas da Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), para se habilitar ao exame de admissão ao Curso Especial de Pintura. Terminou-o em 1922, com 15 valores. Foi a primeira pintora algarvia diplomada por uma Escola Superior de Belas Artes.

Matriculou-se no Curso da Escola Normal para o Ensino de Desenho das Escolas Técnicas. Em 1924 concorreu a uma vaga no Instituto de Odivelas, destinado a filhas de militares, ficando classificada em 1º lugar. 
Quatro anos depois foi transferida para a Escola Industrial Machado de Castro, preenchendo a vaga do aguarelista Roque Gameiro.
 Na Escola Machado de Castro, além de lecionar, foi Directora de Oficinas, Bibliotecária e Professora Metodóloga de Desenho Geral e fez parte de Júris de vários concursos.

Mudou-se para a recém-criada Escola Industrial Feminina Josefa de Óbidos, de onde se aposentou, por motivos de saúde, em 1952.

 A sua primeira exposição teve lugar nas salas do Museu Marítimo de Faro.

Em 1919 e 1922 expõe na SNBA, onde foi notícia na imprensa de então, nomeadamente, A Manhã, O Século e Diário de Lisboa. No Porto, expõe no Salão Silva Porto e no Ateneu Comercial. Participou na Exposição Feminina de Artes Plásticas (1942) e recebe a 3ª medalha da SNBA e a 2ª medalha do Salão Estoril pela sua participação na exposição O Algarve e os Algarvios, no Salão da Primavera (1946). Teve os 1º e 2º prémios de Província da Beira Alta.

Participou numa exposição colectiva, no Museu de Lagos, com pintores como, Virgínia de Passos e Falcão Trigoso.

Em 1956 recebe o diploma da Casa do Algarve pela exposição Paisagem Portuguesa e da Galiza, realizada no SNI. Em 1968 foi premiada no Brasil e recebeu o diploma da Academia Brasileira.

Maria Alexandrina pintou ao longo da sua vida de artista mais de 500 quadros, sempre realizados a partir da observação directa, sendo sua predilecção pintar ao ar livre. Encontra-se representada em muitos museus nacionais.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Faro (Rua Maria Alexandrina Pires Chaves Berger)."


Fonte: “Quem Foi Quem? 200 Algarvios do Século XX”, (de Glória Maria Marreiros, Edições Colibri, 1ª Edição, Dezembro de 2000, Pág. 79 e 80)

Seguidamente apresentamos algumas pinturas suas retiradas da Internet que demonstram as diferentes temáticas  da sua pintura, entre elas as paisagens algarvias:





Description: MARIA ALEXANDRINA CHAVES BERGER (1892-1979), "ROCHA DESMORONADA-LAGOS" ("FALLEN ROCK - LAGOS") oil on wood. Signed, Dated 1956 with inscription and labels on the back. Dim. 47x65 cm.




O "Estudo" a óleo a seguir apresentado foi retirado da revista "Alma Nova"II Serie Nº 19 , como colaboração artística da pintora







Mais Autores

 Listamos nesta página antigos alunos e professores das  nossas escolas que pretendemos incluir no Cont'Arte ao longo do presente ano letivo.

👤 Tomás Ramos - Mestre Canteiro. Foi Aluno da Escola Pedro Nunes.
Fundador, no ínicio do século XX, de um atelier de desenho e artes na Escola Profissional e Artística de Pedro Nunes (na rua do município em Faro).

"O obelisco de Faro foi executado nas oficinas do mestre canteiro Tomaz Ramos, situadas na rua Miguel Bombarda. Canteiro que encheu a cidade da mais artística pedra que a cidade de Faro se pode orgulhar, em construções do início do século XX, a partir do obelisco, como as cantarias do palácio Fialho (Santo António do Alto), fachada do café Aliança, palacete Belmarço, plinto do monumento a João de Deus, palacete Guerreirinho, entre outros. Ainda Mestre Tomaz Ramos (que foi aluno da Escola Pedro Nunes) deixou, na Cidade dos Mortos (Cemitério da Esperança), um testemunho artístico funerário do maior relevo, desde o mausoléu ao diplomata Amadeu Ferreira d’Almeida, entre dezenas de esculturas religiosas, no mesmo cemitério." in Teodomiro Neto e Adolf Haussmann.

👤 Ezequiel Pereira - Professor na Escola Pedro Nunes (Século XIX e XX?).186871943
"Não podemos ignorar que todo esse desenvolvimento artístico em pedra e ferro se ficou devendo aos Mestres da Escola Pedro Nunes, atelier de desenho e artes, escola profissional e artística fundada em Faro, em 1888, em edifícios da actual rua do Município, desde o austríaco citado, do obelisco de Faro, professor Ezequiel Pereira,(1905A1915)ao pintor e director da escola, que foi Carlos Augusto Lyster Franco." in Teodomiro Neto e Adolf Haussmann.


👤 Costinha - António Costa - Pintor

"N. em Faro em 1894. F. na mesma cidade em 1977. Estudou no Seminário de Faro. Alistou-se no exército aos 16 anos. Foi combatente na Grande Guerra 1914/1918. Figura típica da cidade. Conhecido como “O Garoto de Paris” e “O Charlot de Faro”, consoante os fatos que trajava com maior rigor. Fez da pintura sua profissão. Decorou vários estabelecimentos comerciais. Agraciado pela Câmara Municipal e atribuído o seu nome a esta rua. Pctª Artur Costa (Pintor)" in http://www.uf-faro.pt/toponimia/pracetas.pdf

"Convém acrescentar que além de ser figura "marcante" com a sua fantasia carnavalesca [Charlot], o Artur Costa era de certeza o homem que mais "marcou" a cidade de Faro. Com efeito, ele foi o autor da quase totalidade dos letreiros com o nome dos estabelecimentos Comerciais do Burgo". in Faro - Figuras e factos em meados do século XX de Eduardo Brazão Gonçalves.



👤 Eduardo Brazão Gonçalves.

Aluno da Escola Industrial e Comercial de Faro e do Liceu de Faro.

Na Escola, o Dr. José de Sousa Uva, que no ensino da língua francesa utilizava um método muito pessoal, com sinais diferentes a tinta vermelha para assinalar o que eram substantivos, adjectivos, verbos, etc., o Dr. Urbano, o Dr. Palaré e o artista pintor Dr. Carlos Lyster Franco. Fui aluno deste em aulas de português numa sala, interior e muito escura, onde ele aguardava os alunos dizendo continuamente enquanto íamos entrando: "Pss! Vá!" e durante as aulas o aviso "Atitudes correctas!".




👤 Jorge Tavares

Texto de Jorge Tavares


"Vou contar, neste e em próximos textos, algumas situações por que passei enquanto aluno da nossa Escola: Aula de dactilografia e alguns factos introdutórios:

Mestre Carolino, são-brasense de gema, carácter vincado pela sua naturalidade serrenha, pessoa de difícil trato.

Os meus 13 anos acabados de fazer, não permitiam uma saudável relação com os rompantes imprevisíveis do Mestre.

Colocar os dez dedos no teclado da máquina de escrever, que previamente tinha sido separado por uma cartolina, dividindo o "H C E S A R O P Z", e escrever com todos eles, particularmente com o mínimo, não era fácil. O mestre, com os seus quase dois metros de altura, cara sisuda e impenetrável, obrigava-nos a cumprir escrupulosamente os seus ensinamentos. Entrei para a primeira classe e o meu pai entregou-me um fio de ouro com uma cruz, que havia pertencido a minha mãe, já falecida, que sempre usei e ainda hoje uso. Certa dia, em plena aula, usava então a camisa com mais um botão desabotoado, porque estávamos no Verão, o que permitia ver o dito fio e a respectiva cruz, e sentado na carteira, com a Underwood na minha frente, vi que o mestre Carolino descia do estrado e vinha na minha direcção, de dedo espetado e de feições ainda mais carregadas. Imagine-se como tremi de medo, sem saber o que se iria passar. Quando chegou à minha beira, tocando na cruz e com voz de "barítono", disse: Sabes que isso é uma ostentação e por conseguinte, não representa qualquer acto de fé?!

De seguida, desabotoou a sua camisa no peito, e apontando para si próprio, perguntou-me: O que vês?

Atrapalhado, algo engasgado e a medo, respondi: Mestre, não vejo nada. De pronto contrapôs: Pois tenho aqui uma cruz, muito maior que a tua e de verdadeira fé.

Com o seu regresso ao estrado, finalmente acalmei e, garanto-vos que nunca mais levei a camisa desabotoada, para a aula de dactilografia.

Hoje, louvo este mestre. Muito embora nos tenha ensinado de forma austera, todos lhe reconhecemos as suas virtudes, quando ao tempo teclavamos a máquina de escrever e hoje, teclamos o computador. Não é fácil teclar com todos os dedos, especialmente o mínimo. Nós aprendemos! Obrigado Mestre Carolino."

Publicada por Associação Antigos Alunos Escola Tomás Cabreira em  3/13/2008



Biografia

Nasceu em Faro 

segundo as suas palavras:
"Nasci na Horta das Figuras, naquele edificio com arcadas à beira do Teatro das Figuras. Sou montanheiro de nascença e cidadino desde os primeiros meses de idade quando os meus pais resolveram vir morar para Faro"

Aluno da Escola Industrial e Comercial de Faro (50-56)
Frequentou o 1º Ano do ICL


 Como membro da associação dos AAAETC fez a proposta para apoiar a publicação da obra de João Leal, outro associado conhecido jornalista da cidade:

"A nossa Associação e todos nós individualmente, devemos pugnar para que a Vereação da Cultura do Município de Faro patrocine o João, para que possa deixar em livro, esta riqueza cultural sobre a nossa cidade.

 Aos costeletas dirigentes da Associação e a todos os presentes direi que seria um excelente legado e um contributo valiosíssimo que deixaria aos futuros Costeletas, à cidade e à História.

 Pela minha parte deixo desde já a minha incondicional disponibilidade para participar nas diligências necessárias para que este Projeto se possa tornar uma realidade."

Publicada por Associação Antigos Alunos Escola Tomás Cabreira em 12/29/2016


   Jorge Tavares a ler  a sua proposta no Almoço Costeleta de Natal


No mesmo site de "Os Costeletas"está um interessante texto sobre o poeta Sabino, poeta popular de Faro e seu amigo pessoal onde partilha  a dedicatória feita pelo próprio poeta quando lhe ofereceu  o seu livro "A Minha Paixão":

“Sendo eu já velhinho
O meu livro nasceu agora
Fica órfão o pobrezinho
Quando eu me for embora”




    👤 Jorge Escalço Valadas
(conhecido por Valadinhas


Pintor
Diretor da Escola Técnica Elementar  Serpa Pinto 1947/48
Nasceu em Salir  (Loulé) em 5 de Novembro de 1908, mas foi registado em Vila Real de Santo António
Frequentou a ESBAL (Escola Superior de Belas Artes em Lisboa) 1935
Faleceu em Lisboa a 1 de Agosto de 1993
Publicou várias obras pedagógicas como:
"Assim se faz o Presépio"

Colecção Educativa  do Ministério da Educação


Texto introdutório do livro
"Assim Se Faz o Presépio" de José Escalço Valadas

  NATAL! Que nome tão belo e de que alegria ele nos enche o coração; é nele que todo o mundo se envolve numa auréola de paz e de amor.
  Foi num dia de Natal que São Francisco de Assis o grande Santo da humildade, num momento de exaltação mística, idealizou com figuras que as suas próprias mãos modelaram a representação do nascimento dAquele Menino Que para salvar a humanidade nasceu numa manjedoura.
  Foi por certo Deus que lhe sugeriu tal ideia e o presépio tem vindo por todo o mundo a perpetuar o nascimento do Divino Menino. Sendo Portugal terra de Santa Maria, abraçou com aquele amor, que só os Portugueses sabem ter, o milagre do presépio, adaptando-o a sua sensibilidade, fazendo, por vezes, dele verdadeiro monumento de arte, para ser exposto ao culto, desde os palácios as casas mais humildes.
  Teve o presépio no século XVIII o seu período áureo, quer nos de concepção artística, quer nos de carácter popular. Podem-se ainda hoje admirar os belos presépios da Igreja da Madre de Deus, da Sé de Lisboa, da Basílica da Estrela e tantos outros que, felizmente, ainda existem nos museus, conventos, capelas ou colecções particulares.
  Foi Lisboa o maior laboratório das melhores obras de arte, do género, tendo sido Machado de Castro, António Ferreira, Manuel Machado Teixeira e Barros Laborão, entre tantos outros, os grandes artistas que, com o seu génio, modelaram em barro essas belas figuras, que foram dar vida aos presépios. E, como já falámos de presépios concebidos por grandes estatuários, vamos agora dizer alguma coisa sobre os que foram criados pelo povo, que, em grande parte, é o artista máximo.
  Em todos as vilas e aldeias do nosso querido Portugal, ainda os há — e que belos, dentro da sua ingenuidade, modelados por essa gente simples, mas de alma nobre e bela, que sabe ter sempre dentro do coração o seu Menino Jesus.
  Como já vimos, o presépio é uma demonstração de fé e amor por Aquele Que é a vida de todos e de tudo; e, por tal, devemos e queremos que em cada lar exista o seu presépio para que, em família, todos adoremos, irmanados na mesma alegria, o Redentor, dando-Lhe graças e louvores. E, para que assim seja, aqui tens, bom amigo, este livrinho com algumas sugestões, para que tu e os teus possais construir, por vós próprios, o presépio que, feito por ti, será decerto mais belo, por fazer parte da tua vida e da dos bens.
  Com os exemplos que te damos e com o teu engenho, poderás construí-lo a teu modo, dando-lhe a arrumação que a tua imaginação criadora te pedir. Tudo que faz parte da tua vida, da tua aldeia, ou da tua vila poderá servir para a resolução do mesmo.
  Tens tempo e também não te falta engenho. Portanto, mãos a obra, para que no teu Natal possas reunir, em volta dele, todos os que te são queridos, alegrando o nascimento do Menino Deus, rezando e cantando em seu louvor. Deves reservar para o teu presépio o melhor recanto da tua casa, dando-lhe assim o lugar de honra onde todos caibam, para cantarem as "Janeiras", essas tão lindas trovas de sabor tão popular que não se devem perder. Já pensaste que alegria terão os teus filhos ao contemplarem o presépio que tu construíste e em que eles alegremente colaboraram? Tens uma casa pequena e, portanto, pouco espaço para armares o teu presépio? Eis uma solução que ainda te dará mais beleza e movimento: — podes construí-lo, em planos sucessivos, isto é, dispondo as figuras em vários montes e tens assim o problema do espaço resolvido. Põe todos a trabalhar, uns recortando, outros modelando; outros pintando e ainda outros em busca do musgo, das piteiras, da cortiça e dos martuços e verás que tudo se fará e que o teu presépio ficará o mais lindo que tens visto.



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Apresentação

Autores: Alunos, professores e funcionários da Tomás Cabreira.

       Este é um blogue de promoção da leitura e de promoção e divulgação da memória coletiva da nossa comunidade.

      No âmbito do Projeto Cont'Arte, a Associação dos Antigos Alunos da Escola Tomás Cabreira (AAAETC)  e as Bibliotecas do Agrupamento de Escolas Tomás Cabreira (AETC), estão a  promover  um AudioConcurso de Leitura para o ano letivo de 2020/2021 

       Queremos ler e ouvir ler os nossos escritores, a quem chamamos Autores Cont'arte e que o são por terem passado, como alunos ou professores, pelos bancos das nossas muitas escolas.

       Para concorrer, basta ler e gravar um texto (poema ou prosa) de qualquer um dos nossos Autores Cont'Arte e enviar o áudio da sua leitura para o seguinte mail: contarte-aaaetc@agr-tc.pt.

Carlos Lyster Franco, Mário Zambujal, Casimiro de Brito, Maria José Fraqueza, Amílcar Quaresma, Fernando Évora, Fernando Pessanha, Franklin Marques, Luís Campião, Maria Mattos, Pedro Inocêncio, Rosária Pacheco... são alguns exemplos de autores com obra publicada.

       Neste blogue temos muitos mais escritores, bem como exemplos de textos  de cada um, que podem ser lidos para o concurso, mas também admitimos a possibilidade de leitura de outros autores que tenham a sua obra apenas publicada em blogues ou redes sociais, desde que sejam Autores Cont'Arte.


Este concurso é aberto a toda a comunidade e terá vários escalões:

  •   Alunos (níveis: básico 1, 2 e 3 e  secundário ) 
  •  Adultos/Comunidade (Encarregados de educação, Pais, Antigos Alunos, Professores e demais Membros da Comunidade).
Temos vários prémios para as diferentes categorias.

Para ver um breve tutorial de como ler, gravar e enviar o seu áudio clique aqui.

E para ver o regulamento do concurso clique aqui.


Reforçamos a ideia de que este blogue também é de memória, pretende ser  um arquivo dos autores do nosso Agrupamento e está em permanente atualização.

Assim, caso saiba de mais algum Autor Cont'Arte, agradecemos o envio dessa informação para o seguinte mail contarte-aaaetc@agr-tc.pt